Mesmo sem ter nenhuma relação mais com decisões governamentais, o ex-governador Wilson Lima (União) tem adotado uma postura que constrange o governador interino e seu correligionário, Roberto Cidade, e pode ter consequências eleitorais. Na última quarta-feira (22), ele apareceu em reunião na sede do Governo, quando discutiu-se o reajuste salarial para as categorias da Segurança Pública. Como é pré-candidato ao Senado, o ato é considerado pré-campanha, já que ele estava ali para tentar se colocar como um ajudador nas negociações, com possibilidade de angariar votos.
Não é a primeira vez que isso acontece em 20 dias de governo interino. Wilson renunciou junto com o vice, Tadeu de Souza (Progressistas), uma hora antes do prazo final de desincompatibilização, no último dia 4, permitindo a ascensão de Cidade ao cargo de governador interino. Dois dias depois participou da primeira entrevista coletiva do novo mandatário na sede do governo. E discursou, o que também pode ser caracterizado um ato de pré-campanha, já que naquela ocasião ele declarou-se pela primeira vez pré-candidato.
Lima tem se comportado como ainda “dono” do poder. Como ele é presidente da Federação União Progressista no Amazonas, tem efetivamente poder sobre o destino de Roberto Cidade. Se negar a legenda a este, por exemplo, o governador interino, que deve se eleger efetivamente no dia 4 de maio, em eleição indireta, não poderá ser candidato à reeleição em outubro. Por isso o ex-governador está sempre rondando o Executivo Estadual.
Na semana passada Lima trouxe a Manaus o presidente nacional da Federação União Progressista, Antônio Rueda. Foi uma passagem discreta. O único evento público ao qual compareceram foi uma ação de castração de animais no Centro de Manaus, promovida pela deputada Joana Darc, correligionária deles. O objetivo principal da visita, entretanto, foi reforçar o papel do ex-governador como comandante da frente partidária.
O problema é que, na ânsia de manter a influência e o poder, Wilson Lima está colocando em risco toda a estratégia eleitoral do grupo, ao usar ambientes públicos para reafirmar sua liderança.
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