A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho que, segundo as investigações, mantinha um “núcleo político” com acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário com atuação estruturada voltada ao tráfico de drogas. Realizada em quatro Estados, a ação cumpre 23 mandados de prisão, inclusive de funcionários públicos do Tribunal de Justiça, Polícia Militar, Assembleia Legislativa, Prefeitura e Câmara Municipal de Manaus.
Entre os presos está Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil que atualmente trabalha na Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida (Avante), que não é alvo, nem investigado. O blog apurou que ela foi presa acusada de comprar passagens aéreas de uma agência que funcionaria como um duto de lavagem de dinheiro da facção criminosa.
A investigação da polícia indica que a quadrilha ligada à facção teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão para a organização criminosa por meio de empresas de fachada. Além de Anabela, também foram alvos um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores de três vereadores.
Ao todo, a Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Também foram autorizados bloqueio de contas, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário. As ordens são cumpridas em Manaus e em Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA). A polícia identificou movimentações financeiras das conexões operacionais do esquema nestes Estados durante investigações.
Veja os nomes dos alvos no AM:
- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
- Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;
- Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Foi chefe de gabinete do prefeito da capital até 2023;
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior – citado na investigação como ligado a movimentações financeiras suspeitas;
- Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
- Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
- Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema.
- Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara
Segundo a polícia, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018, e atuava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados.
As investigações apontam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Na prática, essas empresas seriam usadas para comprar drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação.
Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.
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