Entre cirineus e soldados

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Há uma gente com a destrutiva capacidade de só enxergar paredes onde existem inúmeras janelas.

No atual momento da pandemia na nossa cidade você esbarra em milhares de soldados dando chibatadas e poucos Cirineus para ajudar a carregar a cruz.

Pare e reflita friamente e me diga, quem estaria preparado para uma avalanche de casos de CoVid em Manaus diante de ao menos cinco fatores preponderantes para que esse surto nos alcançasse?:

1. Eleições em dois turnos com passeatas, comícios, reuniões, ajuntamento de gente e falta de cuidados de proteção e dedinho nas urnas, assinaturas, troca de mãos de documentos, etc.;

2. Inverno chuvoso antecipado em novembro trazendo com ele as síndromes gripais sazonais com pelo menos mais três vírus circulando em meio à população;

3. Natal e comemorações de fim de ano com vai e vem interno e externo, nacional e internacional para dentro das famílias;

4. Resistência da classe de comerciantes, lojistas e comerciários ao decreto de redução das atividades;

5. A inesperada presença de uma variante do vírus chinês com um poder de disseminação sem precedentes;

Elencaria ainda o fechamento por parte da prefeitura e do estado de unidades de retaguarda que davam suporte às unidades de entrada de urgência e emergência.
Nessa hora onde estávamos eu, vc, o comerciante e o comerciário, o empresário de loja, o dono de academia, o proprietário de salão de beleza, os lojistas de shoppings, os industriais e industriários, os donos de bares e restaurantes e flutuantes, os donos dos inferninhos e butecos do centro e da periferia?

Onde se encontravam os pastores e padres responsáveis por templos e igrejas?

Porquê  toda essa gente não respeitou as regras do distanciamento? Porquê resistiram aos apelos e normas das autoridades sanitárias para reduzir as atividades por apenas quinze dias?

Não, não quero que respondam com impropérios nem com outros questionamentos.
Aliás, nem preciso nem que respondam às minhas indagações posto que sei as respostas e do modo como elas virão especialmente daqueles mais suscetíveis a insistirem em resistir no negacionismo e na omissão.

Só faço um apelo para que todos, povo e governo, coloquem a mão na consciência e reflitam sobre o atual momento pelo qual passamos, uns mais sofridos com as perdas, outros apenas por causa das sequelas físicas e emocionais.

O que não é permitido é passar incólume e indiferente diante dessa tragédia social e humanitária que enfrentamos.

Diante de todo esse caos não posso deixar de citar a figura bizarra e falastrona de um presidente da república que, insensível e debochado, teima em despejar verborréias as quais nada contribuem para mitigar as consequências danosas à saúde do povo. Calado já estava errado!

E com a mesmíssima indignação vai meu repúdio aos oportunistas de plantão os quais só submergem para apregoar a hecatombe e só sabem pregar a punição, a caça às bruxas, o banimento político e as prisões como se nessas horas isso colocasse um basta no problema que o povo enfrenta.

Minha solidariedade a todos quantos sofreram perdas de entes queridos e rogo a Deus para que as autoridades se empenhem mais do que já estão comprometidas na direção da solução dos problemas cruciais nessas horas, como a baixa oferta de oxigênio, o abastecimento dos insumos e a contratação de pessoal técnico e profissional.

Essa surpreendente fase da pandemia que começou(por enquanto) na nossa cidade precisa da união de esforços, das mãos entrelaçadas e da inteligência a serviço da vida.
Não é hora de julgamentos ou da busca de culpados afinal, todos temos uma parcela de responsabilidade nesse caos em que nos encontramos momentaneamente.

Pare por uns instantes, reflita e arregace as mangas porque o momento exige ação e reação.

Oremos pelos nossos mortos e pelos nossos técnicos e profissionais da saúde pública e privada verdadeiros heróis nessa guerra a favor da vida.

Que Deus misericordioso nos ampare e nos sustente nessas horas cinzentas porque há luz lá na frente.

Té logo!

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