Manaus precisa de amor!

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Manaus está triste, medrosa, cinzenta, suja, os igarapés poluídos, mobilidade precária… Uma cidade não é somente casas, edifícios, ruas, avenidas, viadutos, automóveis, indústrias, comércios, normas ou leis, lugar da sede do Poder, formada por pessoas diversas…ela é, também, o reflexo do sentimento e do cuidado do seu povo, da sua história e das prioridades dos governantes. Manaus precisa ser amada!

A cidade da minha infância não existe mais. As tabernas tornaram-se mercadinhos; as ruas transformaram-se em avenidas; os igarapés viraram córregos poluídos; os prédios históricos são somente ruínas; as mangueiras sumiram, agora é só pé de pau-pretinho; as padarias não entregam o pão, agora são casas de comidas; a tradição das benzedeiras foi substituída por farmácias; o porto público de todos e para todos, agora tem dono; as praças públicas eram sinônimos de amor; até aquele cheiro nativo do Mercadão deixou de existir; os valores de comunidade de bairro não existem mais; o “bom dia vizinho” foi trocado pelo olhar de desconfiança.

Nos últimos trinta anos, Manaus incorporou um milhão de novos habitantes e mais seiscentos mil novos eleitores. Brasileiros e brasileiras chegaram e saíram em busca de dias melhores e de realização de sonhos. Novos imigrantes também chegaram e formaram famílias, apostando numa prosperidade. Bairros surgiram. A cidade ficou mais diversa, mais grupos sociais se formaram. Profissões apareceram com a dinâmica do transporte e do comércio. Novas formas de organização social também. Denominações religiosas encontraram ambiente fértil para o exercício da fé e a busca do poder eleitoral.

Com o polo industrial, o comércio e a labuta dos trabalhadores, Manaus possui a 6ª posição entre as cidades com o maior Produto Interno Bruto – PIB no Brasil. Condomínios de luxo e shoppings foram construídos. Concessionárias de automóveis se multiplicaram, barcos de luxuosos são fáceis de encontrar nas marinas, escolas de ricos expandiram-se, novas faculdades particulares foram ampliadas, o aeroporto ganhou modernidade e os supermercados funcionam 24 horas.

Porém, Manaus tem uma alta taxa de pobreza. Grandes desigualdades econômica e social. Há uma enorme economia informal. Cresceu o número de moradores de rua. Cresceu ainda a intolerância. Há pouca solidariedade. Aconteceu uma explosão de criminalidade e de grupos ligados às facções criminosas. Rebeliões em presídios são constantes. Moradores não podem andar livremente nas ruas em determinadas regiões.

Os últimos governos não trataram com responsabilidade os problemas sociais da cidade e nem criaram um sentimento de responsabilidade coletiva com Manaus. Apostaram nas suas imagens, nas nomeações de parentes e trataram os moradores como crianças, não cobraram responsabilidades. Hoje a cidade sofre!

Uma cidade tem contradições sociais, econômicas e conflitos entre o passado e o presente. Mas, independentemente da dicotomia entre o modo vida tradicional e a modernidade, a riqueza de poucos e a desigualdade perene, a pobreza das ruas e o luxo dos automóveis e condomínios, as manifestações dos grupos sociais ateus e as religiosas, os manauaras nativos e os imigrantes recentes, Manaus está sentindo falta de cuidados.

Manaus precisa do amor de todos! Ela é o reflexo do seu povo e dos governantes.

*O autor é sociólogo, analista político e advogado.

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