Por Elias Tavares*
O dia 8 de janeiro se inscreveu na história contemporânea do Brasil de uma maneira que nenhum brasileiro gostaria. Em 2023, a democracia brasileira foi abalada por atos antidemocráticos chocantes. Agora, um ano depois, enquanto observamos cerimônias e homenagens para lembrar aquele dia, surge uma pergunta inquietante: devemos realmente comemorar ou relembrar o 8 de janeiro?
Comemorar essa data pode parecer um paradoxo. A democracia, inegavelmente, é um pilar inabalável de nossa sociedade. Ela não é apenas uma forma de governo, mas um valor intrínseco à nossa identidade nacional. Por isso, ao dar destaque a um dia marcado por atos que tentaram subverter este valor fundamental, corremos o risco de enaltecer aqueles que merecem nosso desdém.
O 8 de janeiro não deveria ser um dia de celebração, mas de reflexão profunda. Precisamos questionar como e por que nossa democracia foi levada a tal ponto de fragilidade. Este não é um momento para festividades, mas para uma análise crítica e séria sobre o estado de nossa governança e o compromisso cívico de nossos cidadãos.
A realidade é que os atos vergonhosos de 8 de janeiro não merecem ser glorificados ou comemorados. Eles representam um momento de falha, um alerta de que nossa democracia não é imune a ataques e que a vigilância é necessária. Ao invés de comemorar, devemos usar essa data para reafirmar nosso compromisso com os valores democráticos e garantir que tais eventos nunca se repitam.
A democracia brasileira é, sim, inegociável, e isso todo o Brasil sabe. Mas ao invés de celebrar uma data manchada por atos antidemocráticos, devemos fortalecer nossas instituições e nosso entendimento coletivo sobre a importância da democracia. Isso significa educar, debater e, acima de tudo, proteger os pilares que sustentam nossa sociedade livre.
Portanto, neste 8 de janeiro, em vez de comemorar, proponho que reflitamos. Vamos usar essa data para reforçar nosso compromisso com a democracia, com a justiça e com o respeito às nossas instituições. Que essa data sirva como um lembrete de que a liberdade e a democracia são tesouros frágeis, que devem ser protegidos incansavelmente.
*Cientista político
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