“Agradeço do fundo do meu coração a cada pessoa que acreditou que, juntos, podemos mudar a política e podemos mudar nosso estado. É hora de comemorarmos e de termos serenidade. Nosso governo será o governo de cada cidadão do Amazonas, independentemente de seu voto, de seu partido. Que a força da verdade, que venceu a eleição, seja a força da nossa união nos próximos meses.”
Esta foi a primeira manifestação do governador eleito do Amazonas, o jornalista Wilson Lima (PSC), que derrotou o governador Amazonino Mendes (PDT).
Com 97,41% das urnas apuradas, ele somava um total de 1.020.568 votos, o equivalente a 58,82% dos votos válidos até as 20h15 horas deste domingo (28), horário de Brasília.
Em entrevista coletiva na sede do Partido Social Cristão, no bairro Adrianópolis, em Manaus, Wilson Lima ressaltou que o Brasil e o Amazonas pediram o novo. “O que estamos vendo aqui é algo inédito. Chegamos aqui pela vontade soberana do cidadão. O que está começando aqui é uma chama, uma ideia”.
“Entrei [na política] acreditando de verdade [na mudança]. Vou continuar lutando pelo cidadão que sofre no dia a dia, enfrentando a realidade do maior estado da federação, que é riquíssimo, mas onde metade da população vive na linha da pobreza. Isso não podemos aceitar. Hoje o estado do Amazonas começa a escrever uma história diferente”, disse o novo governador do Amazonas.
Ele esteve acompanhado do seu vice, o defensor público Carlos Almeida (PRTB), e do deputado estadual Luiz Castro (Rede), que compuseram a coligação Transformação por um Novo Amazonas.
“É com muita alegria e também muita responsabilidade que chegamos até aqui. Nossa coligação foi pequena, mas caminhamos com muita coesão nas propostas”, disse o vice-governador eleito Carlos Almeida. “Foi com humildade que chegamos até aqui, é com humildade que seguiremos”.
“Esta vitória é histórica [porque tirou], pela primeira vez, um grupo que se revezava no poder há 38 anos. A enorme responsabilidade para o futuro do Amazonas a partir do dia 1º de janeiro de 2019 vai estar depositada nos ombros destes dois jovens, que são os guerreiros da mudança”, disse o deputado estadual Luiz Castro.
PERFIL
Wilson Miranda Lima, o governador eleito do Amazonas pelo Partido Social Cristão, é um dos personagens que consolidaram a narrativa de mudança na política brasileira nas Eleições de 2018.
Ele nasceu em 26 de junho de 1976 no município de Santarém, no Pará, às margens dos rios Tapajós e Amazonas, distante 807 quilômetros de Belém.
Suas origens estão no Nordeste: o pai, o comerciante José Lins de Lima, já falecido, era do Ceará; a mãe, a dona de casa Maria Miranda Lima, é do Piauí. Foram para a Amazônia na década de 1970, em busca de uma vida melhor.
Mais velho de seis filhos, Wilson passou a infância e a adolescência no garimpo Creporizinho, município de Itaituba, no sudoeste do Pará.
Dessa época, lembra-se das pessoas varrendo as sarjetas em busca de restos de ouro e dos mergulhadores que vasculhavam as barrancas dos rios à procura do metal.
Começou a trabalhar aos 15 anos, como locutor de rádio em Itaituba, onde também foi apresentador de TV. Em Santarém, começou a carreira como repórter de televisão.
Em 2006, decidiu mudar-se para Manaus. Na capital Amazonense, foi repórter de TV, apresentador de rádio e concluiu o curso de jornalismo.
Em 2010, assumiu a apresentação do programa Alô Amazonas, na TV A Crítica, líder de audiência no Estado. Comandou a atração até junho deste ano, quando o PSC confirmou seu nome para disputar o Governo do Amazonas.
Casado com Taiana Lima, professora do ensino fundamental na rede pública de Manaus, Wilson é pai de Ugo, 20, e Úrsula, 18, filhos de um relacionamento anterior.
Desafios à frente do governo
Sem nunca ter disputado cargo eletivo antes (chegou a ser indicado para a vaga de vice-prefeito em uma coligação nas eleições de 2016, mas seu nome não chegou às urnas), Wilson Lima terá pela frente o desafio de comandar um Estado três vezes maior que a Espanha, com graves problemas de segurança (nas cidades e nas fronteiras), baixos indicadores de saúde e educação, metade da população vivendo abaixo da linha da pobreza e um dos maiores índices de desemprego do Brasil.
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