Vacinar ou não vacinar? (Parte 1)

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Antes de responder à minha própria indagação que encima esse artigo de hoje, será preciso dedilhar muitas e muitas letras pra falar(mal) de um movimento maluco que surgiu no ano de 1988 quando um renomado cientista britânico publicou um extenso artigo na revista Lancet relacionando o autismo em crianças como possível efeito adverso após aplicação de vacina contra caxumba, rubéola e sarampo, a bendita tríplice viral.
Na verdade, tratava-se  um estudo fraudado, em que o indigitado cientista, mancomunado com uma banca de advogados, analisou os casos de doze crianças vacinadas com a tríplice viral em que oito delas, na infeliz e precipitada conclusão do pesquisador, haviam adquirido o autismo dias após terem sido imunizadas. O médico titular desse estudo, concluiu que os sistemas imunológicos das crianças teriam sofrido danos  com a sobrecarga vacinal, portanto, ficando vulneráveis a doenças e agravos. Inaugurava-se de um modo cruel com esse triste episódio, as fake news envolvendo a saúde humana, um bem dos mais caros para todos nós.

Ocorre, que por trás de tudo, operava uma banca de causídicos com o intuito de levar os casos às barras da justiça arrancando milhões e milhões da indústria farmacêutica produtora do imunobiológico. Após longo período de polêmicas, chegou-se à conclusão que o médico havia alterado dados e inventado informações sobre os pacientes provocando uma retratação da revista científica que suprimiu das suas publicações o desastrado e ignominioso estudo.

Esse fato, entretanto, que envolvia crianças, ocorreu em meio a uma imunização em massa, tinha altas somas de recursos financeiros gastos entre outras questões sensíveis e abalou o mundo científico e autoridades sanitárias e aplicou, isso sim, uma grande dose de desconfiança nos pais e responsáveis que passaram a desacreditar no processo de prevenção e não mais queriam autorizar seus filhos a vacinarem com medo de que suas crianças adoecessem de autismo.

Iniciava-se assim, um tortuoso e dramático período de descrença naquilo que nós que militamos na saúde de um país em desenvolvimento bem sabemos o quanto de complicado, demorado e caro é uma campanha de imunização e do penoso processo de convencimento dos efeitos benéficos de uma vacina para o ser humano, ressabiado com tanta desinformação e deformação dos fatos.

Entre outros questionáveis argumentos, os adeptos do movimento antivacinal alegam e sugerem, que as imunizações deveriam ser entre períodos mais esparsos, aplicadas somente em adultos ou que as associações vacinais(aplicação de vacinas duplas ou tríplices) deveriam ser suspensas e, que apenas as mono vacinas, não seriam capazes de causar maiores danos ao sistema imunológico das crianças, argumentos esses todos rebatidos pela OMS, por entidades de pesquisa, por estudiosos do assunto e demais autoridades sanitárias dos países mundo afora que provam, entre outras coisas, que jamais se detectou danos ao sistema imunológico das crianças, testificam a eficiência da metodologia e defendem a ideia da imunização em massa com aplicação de doses de vacinas associadas ou simultâneas levando à redução de danos psicológicos das crianças (evitando-se as repetidas doses mesmo que em períodos maiores), do risco iminente de contrair doenças indo muitas vezes às unidades de saúde, de custos para os cidadãos que não precisariam se deslocar aos postos de vacinação repetidamente e também aos países com gastos em logística e pessoal envolvido, ao contrário do que esses energúmenos, adeptos do movimento antivacinal, bodejam por aí.

Mais grave ainda, é que sem vacinação na infância, teríamos milhares de crianças doentes e outras milhares mortas.

Não custa nada lembrar que, a cada ano, são salvas as vidas de mais de dois milhões de seres humanos no planeta com a prevenção das mais diversas doenças e agravos por meio da imunização em massa.

Conclui-se, portanto, que o malfadado movimento antivacinal hoje cada vez mais forte e espalhado por muitos países da Europa e nos Estados Unidos e até no Brasil, é danoso aos interesses sanitários dos cidadãos e das nações mundo afora, mormente no instante em que atravessamos uma das maiores e mais deletérias crises sanitárias no planeta onde pesquisadores, instituições científicas e empresas privadas e públicas lutam e investem horrores para a obtenção de uma vacina que seja eficaz contra o vírus chinês causador da mais grave pandemia dos últimos cem anos e, por incrível que possa parecer, já há movimentos, entidades, pessoas, igrejas e, pasmem, profissionais da saúde, os quais se colocam visceral e terminantemente em confronto com  a produção e aplicação de uma vacina que previna a CoVid19.

Bom, mas isso será objeto do nosso próximo artigo na semana que vem.

Té logo!

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