Um tiro na cabeça de Têmis 

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Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Era mais que previsível a crise já instalada nas hostes da suprema corte pela infeliz e pueril  decisão de seu presidente que, de forma inédita e em afronta às mais elementares regras constitucionais, decidiu monocraticamente abrir uma investigação sem ouvir o estado acusador-o Ministério Público, escolher o relator sem sorteio quebrando a regra do juiz natural do feito e determinar o sigilo, sem que para tanto houvesse tido provocação formal alguma de quem quer que fosse.Sob o indesculpável motivo de que existem fake news, aleivosias e ameaças a alguns membros do STF e seus familiares, o presidente da corte deixa de fazer o que a qualquer brasileiro é permitido pela lei que, sob os mesmos argumentos e fatos, pode abrir um BO ou um processo contra seu caluniador ou detrator na primeira delegacia ou tribunal de justiça que encontrar.

O mais desatento dos mortais e o mais humilde dos brasileiros já percebeu que o que o atual ocupante da cadeira mais alta do plenário excelso da justiça desafortunadamente e inutilmente tenta, é intimidar pela força e calar pela caneta seu alvo preferencial ou seja a mídia nacional e alguns dos mais exaltados dos seus críticos sejam simples cidadãos, sejam blogueiros e jornalistas, seja a parte da grande imprensa mais independente e corajosa.

Ocorre que deu ruim né Presidente? pois o tiro saiu pela culatra e, em que pese as desastradas incursões policiais a mando do relator escolhido a dedo, o formigueiro se revoltou e as operárias se uniram e mandaram ver por meio de editoriais contundentes, manifestações corajosas, posicionamentos ferozes e reações destemidas de todos os lados quer por parte da própria mídia, quer do parlamento (ainda que timidamente), quer da Procuradoria Geral da República que pediu o arquivamento da investigação o que lhe foi negado, quer dos próprios pares mais centrados e éticos que compunham o STF e até por parte de ex ministros da Corte.

Sei que o orgulho já tomou conta dos corações e das mentes do Presidente e do relator da investigação e, das suas partes, já é tarde demais para voltarem atrás ainda que teimem em deixar a Corte sangrando com o tiro certeiro que deram na cabeça de Têmis a deusa da justiça e da lei.

Dois novos e novatos  membros do STF, proporcionam a mais terrível e evitável crise que se tem notícia na história, envolvendo a nossa corte suprema pois sei que, se ousassem levar o tema ao plenário, de lá sairiam chamuscados com tantos cascudos na cabeça que levariam por parte dos mais velhos e experientes componentes tendo em vista a indefensável razão que os levou a propor e decidir levar adiante essa absurda e polêmica atitude que atenta contra uma das cláusulas mais consolidadas da nossa Constituição que é a liberdade de expressão e da imprensa.

A atitude desastrada levada a cabo por dois membros do Olimpo judicial pátrio só demonstra o alto grau de enfraquecimento, da quase falência e, mais gravemente ainda, do elevadíssimo salto alto e da completa arrogância que assolam os integrantes da justiça brasileira em todos os níveis.

Não pesaram e não pensaram os excelentíssimos ministros na gravíssima e perigosíssima quebra de um dos pilares que sustentam nossa incipiente democracia que é a separação dos poderes porque, por enquanto, nenhum parlamentar com a coragem e a saudosa eloquência de um Pedro Simon, um Arthur Neto, um Fábio Lucena ou um Paulo Brossard subiram ao púlpito do congresso para desancar críticas e cobrar posturas dos ministros novos e novatos que quase causam uma crise político institucional sem precedentes na história do país.

Devagar com o andor senhores ministros do STF que o santo é de barro! Recolham-se às suas tarefas mais elementares e nobres que é julgar à luz da Carta Mãe e causem menos problemas a um país que já os tem aos montes e que precisa retornar aos trilhos do crescimento e da ordem política e institucional.

O Brasil não precisa de arranjadores de crise e sim de gente capaz de contribuir para que haja crescimento econômico com paz social, portanto, levem essa questão ao plenário da corte onde fatalmente o tal inquérito será arquivado e salvem o STF de um vexame maior.

Façam mais justiça e arrumem menos crise. O país agradece.

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