Sobrevive na boca do povo uma frase lugar comum dizendo que nosso país é abençoado porque por aqui não temos terremotos, tsunamis, vulcões e outras catástrofes naturais e por isso somos abençoados.
Sinto muito em desmitificar essa máxima, porque, mais naturais que as catástrofes políticas há cinco séculos a nos atormentar, não existe parâmetro.
Desde a fundação da república nosso país convive com ciclos de mazelas e desastres políticos.
Afinal de contas, não somos melhores que ninguém e, portanto, termos uma classe política que é um horror, temos um judiciário de causar arrepios e temos tido sucessivos governos que beiram ao surrealismo gerencial.
Mercê de todo esforço de bravos e respeitáveis políticos que deixaram saudades pelas suas passagens pelo parlamento, é de se lamentar o nojo e a ojeriza causadas por muitos parlamentares nos últimos vinte anos.
A corrupção está entranhada na alma política do país com raríssimas exceções.
O judiciário que deveria ser o fator de equilíbrio está infiltrado de políticos juízes e de juízes políticos minando a independência e a soberania desse poder.
Os organismos de controle denominados de quarto poder, vivem encastelados e ensimesmados, e igualmente minados na sua autonomia porquanto dependem do poder executivo até para escolher seus dirigentes.
A imprensa nacional não sobrevive sem as benesses dos governos pois são como palha ao vento e vergam para onde houver mais oferta de vantagens mantendo um poder paralelo que impõe comportamentos, dita regras e pode criar ídolos ou derrubar poderes. Depende de quem está no poder ou de que valor seja capaz de pagar.
Somos uma das vinte economias do mundo, a quinta população do planeta, segundo maior produtor de alimentos, quarto país em tamanho territorial, possuidor das maiores reservas de minerais estratégicos e ocupamos lugar de destaque na área de ciência e tecnologia e educação, mas, em termos de evolução política somos apenas um pária planetário.
Tudo isso devotado a uma sequência de governos e governantes despreparados, parlamentos medíocres e um judiciário desprezível escolhidos a partir e nossos votos pra lá de equivocados.
Dizem ainda que o melhor do Brasil é o brasileiro. Não aposto muito nisso não!
Se fôssemos verdadeiramente um povo sábio e cônscio da sua cidadania e seus deveres sociais e políticos, não teríamos deixado o país chegar no nível de corrupção em que chegou elegendo sucessivos governos de ladrões de cofres públicos e salteadores da nossa soberania e das nossas riquezas.
Pobre do país e do povo que diante de um cenário político preocupante em que uma das opções seja aquela já experimentada no roubo, na corrupção e no desmando, aposte mais uma vez nesta fechando os olhos para um passado reprovável.
Pobre do eleitor que apaga da sua memória todo um período de escândalos políticos, de roubo nas estatais, de mistura do público com o privado, de desvios morais e sociais e escolhe Barrabás e toda sua história de saques, orgia política e traição à pátria.
Hoje, com todas as letras eu afirmaria: o pior do Brasil é o eleitor brasileiro que mau vê, mau acolhe e mau vota.
Sou capaz de dizer que a corrupção está enraizada na cultura e na vida do povo brasileiro. Nós perdoamos um corrupto mais a um assassino ainda que arrependido.
Se assim continuarmos, nosso país prosseguirá sendo um pária social e político e a nação brasileira cada vez mais dependerá de governantes desprezíveis, de parlamentos medíocres, de um judiciário caquético e de organismos de controle elitistas e escravos dos demais poderes.
Vá-lha-nos Deus!
Té logo!
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