Eu e Elaine estamos na cidade de Itu/SP onde viemos conhecer essa cidade quatrocentona e dar um grande abraço a um amigo de caserna o Ten Brigato com quem servi ao Exército Brasileiro no Hospital Geral de Manaus.
Itu é uma tradicional cidade polo do interior de SP e de grande relevância para a economia da região.
Ontem, durante a missa na Igreja de São José, o Padre Eneas, numa extraordinária homilia de 45 minutos, discorreu sobre as diversas personalidades humanas vinculando-as a figuras mitológicas e da literatura universal, antes de fazer um paralelo entre esses fatos e o evangelho do dia.
Falou ele sobre Telêmaco, Narciso e Peter Pan tratando sobre de como muitos de nós deliberada ou inocentemente crescemos e adotamos sentimentos, emoções e práticas ora de um ora de outro desses personagens.
Telêmaco era filho de Odisseu e de Penélope da obra Odisseia escrita por Homero.
Resumidamente Telêmaco sofre com a partida do pai Ulisses e, durante décadas, vai a uma praia aguadar pelo retorno do pai que foi servir na guerra de Tróia.
De um garoto frágil e apático, Telêmaco transformou-se num guerreio como o pai conquistando vários reinos.
Narciso, outro emblemático personagem mítico, é aquela figura de beleza inigualável castigado pela deusa superiora a ficar preso por toda a vida à sua própria imagem pelo fato de rejeitar suas pretendentes.
Já Peter Pan, criado pelo escritor J. M. Barreira na sua obra de 1902, é inspirado no deus Pã da mitologia grega.
Peter Pan é um rapaz dado a brincadeiras, sarcasmos, tiradas de humor e sustos e mantendo-se um eterno adolescente que não cresce e não avança na maturidade.
Feitas essa introdução e essas considerações, não me vou deter em traçar um paralelo que o Padre Eneas tão bem delineou na sua aula catequética.
Mas vou me deter em outro ponto crucial que o piedoso e sábio padre abordou na sua abençoada homilia.
Ele usou uma figura de linguagem muito apropriada para os tempos atuais quando afirmou com muita propriedade que o celular é um tribunal de bolso. E de fato o é!
O narcisismo, a eterna infantilidade e a detenção eterna na figura paterna que nos aprisionam são, como os celulares, elementos figurativos ou reais a nos encarcerar nas nossas próprias fragilidades mas, sobretudo, a nos tornar escravos de uma práxis lamentável e abominável durante nossa existência.
Vivemos, como bem disse o Padre, numa época em que temos os mais fortes e rápidos acessos à informação coisa jamais pensada e experimentada pela humanidade.
Entretanto, pouco usamos as ferramentas disponíveis como algo a nos orientar ou guiar para boas práticas e sim, como instrumento de opressão, de desinformação, de justiçamento e de condenação do outro.
No bolso nossa justiça! No celular nossa sentença! E no celular a condenação certeira e cruel sobre o outro.
A ciência cresceu, os tempos mudaram, a tecnologia avançou mas a humanidade adoeceu e os jovens e adultos permanecem eternos adolescentes birrentos, emburrecidos, alheios às coisas de Deus e sobretudo escravos e usuários de uma tecnologia que veio para ajudar mas é lançada mão para julgar, condenar e até matar. Oremos!
Té logo!Tribunal de bolso
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