Há corporações, poderes e agentes públicos que se sentem sócios do erário e, alguns ainda, se sentem os proprietários. Acredite!
Basta fazer parte da elite funcional ou assumir algum carguinho relevante pro cara sentir que o estado será sempre devedor ou que, no mínimo, ele poderá meter a mão nos cofres da viúva. Credo!
Li um texto enviesado onde, desafortunadamente, um cidadão que se encaixa nas posições acima elencadas, defende com unhas e dentes, que o estado está sempre em dívida com servidor ou agente público da sua classe. Oremos!
Ele parte do princípio de que, pelo munus exercido pelo agente público, o estado é obrigado a lhe pagar tudo o que o poder ou a corporação achar que deve definir como correto estando ou não disposto em lei.
O sujeito chega a afirmar que uma simples medida administrativa tem o condão de criar um código no contra cheque ou nos contra cheques do servidor público. Misericórdia!
Indo mais além, o autor do texto se indigna com a aplicação do termo penduricalho tão em voga, e que expõe a sanha de membros da magistratura e do ministério público em ganhar muito acima do teto constitucional.
No texto do agente público ao qual me refiro, ele diz que a mídia condena o que são meros pagamentos retroativos por isso, muitos magistrados auferem ganhos robustos. Então tá!
Ocorre, que se na origem a rubrica é imoral, os tais retroativos carregam consigo ainda mais o pecado da irregularidade, porquanto, são sim penduricalhos criados de modo administrativo apenas para encher linguiça ou engordar o gado, usando nomenclaturas difíceis de serem entendidas, exatamente para causarem confusão nos organismos de controle, na mídia atenta e na sociedade como um todo.
Fui servidor público por longos quarenta e cinco anos.
Meu contra cheque tem até hoje os mesmos termos e rubricas que a lei ordinária lá atrás definiu como ganhos, vantagens e descontos absolutamente lícitos.
A secretaria de saúde ou da administração jamais poderiam criar termos os quais tivessem o condão de aumentar meu salário. Apenas uma lei votada na Assembleia Legislativa pode alterar as regras.
E, a vida toda, tive um único contra cheque.
Não fossem a parte séria da mídia e o olhar atento de alguns ministros do STF a gritar no megafone o escândalo dos penduricalhos, até hoje o contribuinte brasileiro jamais iria ficar sabendo da farra salarial do poder judiciário e no ministério público.
Um recado ao autor do texto que defende os penduricalhos: Quem quiser ficar rico na vida e escolheu ser agente ou servidor público, escolheu a profissão e o caminho errado.
Servidor deriva do termo latino servitor aquele que serve; e, aquele que serve, nunca poderá ser maior ou melhor do que o seu senhor que é o estado.
Pois tem servidor público que se acha superior, mais merecedor ou melhor posicionado que os outros. Credo!
Té logo!
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