Por José Ricardo Weddling*
No último dia 27 de outubro (domingo), o Papa Francisco realizou a missa de encerramento do Sínodo da Amazônia no Vaticano. O Sínodo é uma assembleia de bispos que tem por objetivo ajudar o Papa no governo da Igreja, além de enviar uma mensagem ao mundo em relação a temas importantes, e que ocorreu dos dias 6 a 27 de outubro deste ano.
Este Sínodo foi convocado em 2017 pelo Papa Francisco, com o tema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral”. O Papa, juntamente com os bispos, padres e leigos da região, propuseram-se a debater as questões da Amazônia, tanto no aspecto eclesial quanto no aspecto social em que a igreja está inserida. Foram mais de 250 pessoas, estando o Brasil com a maior delegação (118 participantes).
O documento final aprovado pelo Sínodo apresenta 120 pontos, dos quais envolvem o sacerdócio nas áreas mais remotas da região amazônica, onde homens que são membros da igreja católica poderão exercer o sacerdócio e ainda assim constituírem família. A participação da mulher exercendo o diaconato, fazendo com que a voz das mulheres seja ouvida, que sejam consultadas, participem das tomadas de decisões e assumam sua liderança dentro da Igreja, conselhos pastorais e nas instâncias do governo.
Uma das principais pautas e que tem incomodado o atual governo brasileiro diz respeito às Dores da Amazônia, onde a Igreja e sua base denunciam as ameaças à vida, com a privatização dos recursos naturais; produção predatória, queimadas, desmatamento que atinge 17% da região, poluição das indústrias extrativistas, mudanças no clima, narcotráfico, tráfico de pessoas e a criminalização de líderes e defensores do território amazônico.
O mundo se volta à Amazônia buscando sua proteção. Enquanto isso, o atual governo rema na contramão, com discurso e políticas de incentivo ao desmatamento e às queimadas, exploração e mineração em terras indígenas; ataque às ONG’s e demais instituições que historicamente sempre defenderam a floresta e seus povos, promovendo ataques à realização do Sínodo, inclusive, infiltrando militares para promover a espionagem.
O Sínodo trouxe a preocupação com o grito dos pobres, com a situação dos migrantes. Há interesse pela migração também na região amazônica. Em seu documento, fala da urgência da Igreja ter uma Pastoral Indígena, ter uma “opção preferencial pelas populações indígenas”. Da mesma forma, a preocupação com a juventude, com a situação das cidades e das famílias, das áreas urbanas.
Diz o documento final do Sínodo que “defender a terra é defender a vida” e que a defesa dos direitos humanos é uma necessidade de fé, que a igreja deve ser aliada das comunidades amazônicas, deve defender a vida e é um pecado ecológico não garantir o direito do povo à água potável.
Acertadamente a Igreja Católica e o Papa Francisco, ao voltarem seus olhares para Amazônia, nos convidam a resistir, como amazônidas e como povo latino-americano, a enfrentar os modelos de progressos predatórios e a política entreguista dos nossos recursos naturais, que geram pobreza e miséria na mais rica região do planeta.
A maioria das questões aprovadas depende da palavra final do Papa Francisco, que irá publicar um documento oficial, talvez ainda este ano.
*O autor é economista e deputado federal pelo PT
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