A cadeirante Larissa Costa, 25, popularmente conhecida como “Lally”, denunciou ontem o constrangimento a que foi submetida durante o evento “A Festa do Ano”, promovido pela Fabrica de Eventos, realizada no último sábado (24). Ela afirmou que não havia nenhuma preocupação com a acessibilidade no local e disse que o pai precisou pagar por uma mesa de plástico para poder acomodá-la em cima, a fim de que pudesse presenciar o show. , (FABRICA DE EVENTOS LTDA, 04.337.695/0001-52), no dia 24 de setembro (sábado), na Arena da Amazônia.
A oferta de condições de acessibilidade em eventos está prevista na Lei Federal de número 10.098, que existe desde 2002. A Fábrica de Eventos a desobedeceu e pode ter que pagar judicialmente uma indenização à cadeirante.
“Todos os que viram a situação tentaram me ajudar de alguma forma. Falo dos seguranças, bombeiros e até mesmo os cantores tentaram chamar atenção para que eu tivesse um espaço melhor para ficar. Lamentável a falta de respeito”, disse Lally.
De acordo com o Estatuto da Pessoa com Deficiência, nos teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte, locais de espetáculos e de conferências e similares, serão reservados espaços livres e assentos para a pessoa com deficiência, de acordo com a capacidade de lotação da edificação, observado o disposto em regulamento. Os espaços e assentos devem ser distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, em todos os setores, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-se áreas segregadas de público e obstrução das saídas, em conformidade com as normas de acessibilidade.
Veja a íntegra do texto postado por Lilly:
“Boa noite a todos que derem atenção à essa publicação, que não é de costume eu vir aqui falar, reclamar, debater, ou apenas exigir meus direitos, que por sinal como cadeirante, como todos sabem. Ontem, passei por uma situação super chata e triste no evento da @fabricadeeventos , como nunca havia passado, lamentável, pois eu não estava ali de graça, o ingresso não foi nada barato e eu não consigo ir a um show sem acompanhante, então foram dois ingressos caros, para que eu fosse me divertir, mas não tive acesso adequado a um local em que eu pudesse ter uma visualização boa do show, todos que me viram tentaram me ajudar de alguma forma. Falo dos seguranças, bombeiros e até mesmo os cantores tentaram chamar atenção para que eu tivesse um espaço melhor para ficar, já que no evento não existe, pediram que eu ficasse ao menos na frente da grade, era somente eu, não era meu acompanhante e nem as outras pessoas que estavam comigo. Entendo bem, que esses que tentaram me ajudar, não teem culpa do ocorrido, pois eles recebem e respeitam ordens e foi passado isso na hora para os donos do evento e não foi permitido que eu pudesse ficar à frente da grade e também nem me disponibilizaram nada pra melhorar algo e ficou por isso. Meu pai, que era meu acompanhante, precisou pagar, isso PAGAR UMA MESA DE PLÁSTICO, para que pudesse colocar minha cadeira em cima e conseguisse assistir ao show. Lamentável a falta de respeito!“
Outro lado
A Fábrica de Eventos enviou nota ao blog dizendo que as pessoas com deficiência (PcDs) que vivem no Amazonas são amparadas pela Lei Estadual nº 241 de 27 de março de 2015. Tal legislação tem como objetivos promover, proteger e assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além de promover o respeito pela sua dignidade inerente.
“Há mais de 20 anos promovendo grandes espetáculos em Manaus, a Fábrica de Eventos reitera o compromisso na manutenção e seguridade de todos e quaisquer direitos ao público, sem quaisquer distinções, que participe de uma das festas assinadas pela produtora. Nosso lema é ser uma Fábrica de Ótimos Momentos. E isso não é apenas para o público A, B ou C. Fazemos eventos para todos, para que todos possam ter boas recordações, que todos possam viver suas paixões e alegrias conosco”, disse a diretora da empresa, Bete Dezembro.
A Fábrica ressalta que a Lei Estadual é cumprida devidamente e que, como dita o documento, independe de evento que produza, valendo tanto para shows nacionais quanto para os internacionais, destinado às PcDs um local adequeado para que possam aproveitar cada momento dos shows.
Para participar das festas promovidas pelas Fábrica de Eventos, uma pessoa com deficiência deve se dirigir às Centrais Oba Ingressos (localizadas nos shoppings Manauara ou Millenium) e preencher um requerimento fazendo a solicitação do ingresso.
Além disso, o cliente com deficiência pode fazer a solicitação pelo site BaladApp ou ir – no dia da festa – ao local do evento com a carteira de identificação de PcD.
O que diz a Lei
A legislação indica que as empresas devem reservar, no mínimo, 10% dos lugares para destinar ao público PcD.
Além da gratuidade para a pessoa com deficiência, a lei garante o pagamento de meia-entrada para seu acompanhante nos eventos, em salas de cinema, em espetáculos de teatro e circo, em museus, parques e eventos educativos, esportivos, de lazer, culturais e similares.
A assessoria enviou a foto abaixo para comprovar que cadeirantes foram acomodados em local apropriado no evento de sábado:

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