Saudade é o amor que fica

Certa manhã, como sempre faço, eu fui caminhar antes de ir à Igreja. Fazia isso toda as semanas com a minha esposa, Lúcia. Sempre no intervalo dessas nossas caminhadas, parávamos para tomar uma água de coco e, assim, refrescar a vida. Sempre fazíamos juntos, mas, dessa vez, eu parei sozinho na banca da dona Izabel – uma senhora simples, do bem, que se pôs ao meu lado a conversar e só reforçou em mim uma premissa.

Dona Izabel me cumprimentou, sentou ao meu lado e começou a falar da Lúcia, a minha bonequinha de pano. Inesperadamente, ela se emocionou e começou a chorar na minha frente. Daí, passou a me contar um pouco sobre a sua relação com a Lúcia e relatou que, dia desses, teve uma boa lembrança da amiga e começou a lagrimar na sua casa. Vendo aquele choro, o seu neto perguntou: “Vó, por que a senhora está chorando?” De pronto ela respondeu: “estou chorando por uma pessoa que vale a pena, uma mulher que eu conheci e que parecia um anjo em forma de pessoa.”

A resposta de dona Izabel ao neto foi a representação daquilo que sinto diariamente, desde a partida da Lúcia, naquele fatídico início de dezembro de 2019. Nessa segunda-feira, dia 17 de fevereiro, se aqui estivesse, Lúcia completaria 42 anos. Mas quis Deus que ela partisse. Ainda assim, o que ela semeou na minha vida, na da sua família e na de milhares de outras pessoas como a dona Izabel, floresce diariamente nas nossas memórias e nos nossos corações.

Lúcia era um ser humano de alma leve, sorriso fácil. Uma mulher que sempre amou o próximo como diz a palavra do Senhor. Sem sombra de dúvidas, ela deixou um gigantesco vazio nas nossas vidas. E o que nos resta repetir é que a saudade que sinto por ela é o amor que permanece vivo dentro de mim.

Te amo, meu amor!

*O autor foi deputado estadual da 15ª a 17ª legislatura, governador do Amazonas em 2017 e é o atual presidente estadual do partido Avante no Amazonas

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