Sou casado há trinta e cinco anos com uma carioca de Quintino mas, nem isso, me faz gostar e até abuso da sinceridade ao afirmar que detesto o RJ onde estive apenas em quatro ocasiões em toda a minha vida. Acho o povo carioca na sua essência nojento, porcalhão, não cuida da cidade sempre suja, aproveitador, malandro, politicamente burro e a mais completa tradução da Lei de Gerson pois querem tirar proveito de tudo.
Claro que há gente decente, trabalhadora, honesta e que passa ao largo e nem são alvo da minha indignação, ao contrário, considero-as vítimas dessa verdadeira tragédia que se abate sobre a ex capital federal palco de parte da nossa história antiga e contemporânea do ponto de vista social e político e das tradições cultural, paisagística, arquitetônica.
Não à propósito, esse estado e essa cidade que possuem as mais belas paisagens da natureza enredada pelo mar portentoso e pelas mais lindas montanhas, amargam há décadas a mais triste trajetória política e institucional que se tem notícia na história recente do país.
Seus cinco últimos governadores foram presos e, um sexto e atual governante está implicado num vasto esquema de corrupção e intrigas policiais diversas de corar de vergonha a máfia siciliana.
Esposas, secretários, assessores e outros parentes presos; achaques, conchavos, extorsão, compra de votos, roubos, desvios, mortes, milícia, tráfico de drogas e de influência, na mais grossa cadeia de corrupção de que se tem notícia no país e que envolve, nos últimos dezesseis anos, algo próximo de 11 bilhões de grana pública desviada e roubada em detrimento da pobreza reinante estampada nas favelas cariocas, no desmonte do estado, no sucateamento da saúde e da infraestrutura, na degenerescência dos poderes, na perda de transparência, na obsolescência dos organismos de estado, na ausência de mando das autoridades policiais e no mandonismo dos traficantes, na falta de respeito e de independência entre os poderes públicos, entre outras mazelas que há anos a fio imperam e as quais dilapidam o patrimônio público e expõem um governo e um estado doentes, envelhecidos e carcomidos pela desordem, pela violência urbana e pela corrupção.
Parodiando a música, ouso dizer que o RJ continua feio, decadente, perigoso e caminhando para um estado de total entropia se continuar a ser governado por gestores bandidos e bandidos gestores, quadrilhas de assaltantes de cofres públicos, milícias de políticos aproveitadores, se o povo carioca não despertar da letargia em que se encontra e não assumir o protagonismo e a reação necessárias que retirem o estado da lama fétida em que se encontra.
Pra voltar a ser lindo, o RJ tem que reagir a essa trupe de governantes inescrupulosos e ladrões, seu povo tem que aprender a fazer boas escolhas, abandonar a malandragem, cuidar da cidade, expurgar os maus políticos e reverter essa sequência vergonhosa de governantes e chefes de poderes irresponsáveis e corruptos.
A cidade e o estado do RJ agradecem e quem sabe eu volte a pisar em solo carioca, tomar um banho de mar em Copacabana e, da janela, ver o Corcovado e o Redentor. Que lindo!
Té logo!
*O autor é farmacêutico bioquímico e diretor-presidente da Fundação Hospital Alfredo da Matta
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