O ser humano possui-e é bom e necessário que possua, a inigualável capacidade de a tudo se adaptar demonstrando que pode escapar de situações, incluindo as mais adversas, para alcançar objetivos e avançar na vida ou, como se diz popularmente, de um limão fazer uma limonada nas horas mais escuras.
Porém, há seres humanos mais humanos do que outros, capazes de jogadas extraordinariamente espetaculares quando, para proveito próprio, relativizam leis, normas e costumes no que eu costumo rotular de circunstancialismo, ou seja, ante o perigo e a adversidade, determine-se a alteração até da relação espaço/tempo a fim de que nem ele nem os seus sejam alcançados. De repente, as leis e até as cláusulas pétreas já não são tão imutáveis assim pois dá-se um jeitinho, remenda-se aqui, costura-se ali e eureca! achou-se uma saída.
Pois bem, diante desse raio de pandemia que estamos sofrendo, parece que a teoria darwiniana dos mais fortes sobressaírem e se imporem, encontrou vasto lastro de aplicabilidade nos parlamentos, na corte suprema, nos órgãos de controle, nas igrejas, nas empresas, no comércio, enfim, onde quer que haja aqueles tais seres humanos que se acham mais humanos que os outros os quais, com o poder que detêm, relativizam tudo, agindo na forma e na tradução mais completa do-farinha pouca meu pirão primeiro, onde a Lei de Responsabilidade Fiscal pode ser mitigada, a Lei das Licitações pode ser minimizada, as reuniões das casas legislativas estaduais e federais podem ser realizadas on line, as sessões de julgamentos das cortes de justiça não precisam ser presenciais, as eleições podem ser postergadas, os fiscais da lei entram em estado de hibernação, o trabalho na administração pública pode ser em home office(coisa chique né?), as vistorias, fiscalizações, inspeções e auditorias podem ser on line (mais chique ainda), as multas podem ser perdoadas, as audiências judiciais além de canceladas, podem também ser por vídeo conferência, as validades de documentos oficiais pessoais e empresariais não precisam ser renovadas, o pagamento das dívidas dos estados e municípios podem ser suspensas, aquele empréstimo aos estados pode ser prorrogado seu pagamento, as detenções e as prisões podem ser revogadas, o déficit público pode aumentar, etc e tal.
Dizem, que os primeiros a abandonar um navio alagando são os ratos, e, diante de um perigo real, seja ele uma guerra, um distúrbio social ou uma pandemia, os mais poderosos se protegem, se defendem ou se escondem, para tanto, correm para permitir tudo, abrandar tudo, reduzir tudo e relativizar tudo de modo que aquilo que antes era ilegal, imoral ou engordava, agora passa a ser encarado com a suavidade, a naturalidade e a candidez, aplicando aquilo que os sociólogos denominam de utilitarismo, de corar de vergonha o mais sórdido dos mortais.
Até a saúde pública é relativizada por quem deveria protegê-la e vigiar para que funcione plenamente. Outro dia, o gestor de uma eficiente e antiga instituição pública de saúde do estado foi instado pelo Ministério Público a fechar suas portas ao atendimento tendo como desculpa a pandemia pelo vírus chinês “…porque o pleno funcionamento da unidade punha em risco a saúde dos mais vulneráveis, usuários e servidores…”, esquecendo-se, a resoluta e competente promotora, que existe um decreto governamental que excetua a saúde pública do rol de serviços a serem paralisados e do juramento que cada categoria profissional da saúde um dia verbalizou, quando seus componentes abraçaram a causa da saúde com todos os seus riscos, perigos, compromissos,in
Vôte!
Um dia cobram eficiência e eficácia dos gestores, impõem sanções, vigiam, fiscalizam e tocam o terror em nome da lei; no outro dia relativizam a essencialidade do serviço, mas, por medida de precaução, trabalham em home office longe do “perigo”da pandemia afinal de contas né?, somos todos mortais.
Vai entender! A relatividade de Einstein era outra.
Té logo!
Compartilhe isso:
- Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
- Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
- Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir




