O povo brasileiro parece ter escolhido uma forma menos exposta para demonstrar seu desapreço pela mais alta corte judicial do país.
Uma recente pesquisa de satisfação revelou um dado que há anos eu, tu, nós, vós e eles já sabíamos.
Trata-se da pesquisa feita pelo Instituto DATAFOLHA em que quase 2/3 do povo brasileiro se diz envergonhado dos ministros do STF e, por tabela, da própria corte.
Do medo à vergonha, nossa gente se manifesta de um modo assaz interessante porquanto, nada melhor do que expor sua insatisfação com essa instituição republicana, do que fazendo-o de um modo velado.
Mas não nos animemos nem um pouco com esses números porque isso em nada irá alterar os rumos da corte tampouco o comportamento dos seus membros mais ruidosos.
Eles continuarão a falar demais contrariando o regimento e afrontando o juramento que fizeram na posse: se manifestar apenas nos autos.
Não é apenas que o povo brasileiro sinta apenas vergonha da sua suprema corte; isso é o de menos.
Trata-se mais substancialmente de um vergonhoso comportamento dos ministros seja nos julgamentos, seja nas decisões adotadas, seja socialmente ou seja na falta de isenção e de responsabilidade.
Acompanho a realidade do STF há pelo menos quatro décadas, antes mesmo do canal de TV Justiça.
Lembro bem das figuras ímpares de Paulo Brossard, Sepulveda Pertence, Nery da Silveira, Sidnei Sanches, Otávio Galloti, Moreira Alves, Carlos Veloso e outros.
Que quadros! Que extirpes! Que exemplos de vida, de conhecimento jurídico e de comportamento!
Imperava a discrição, vicejava o respeito à liturgia do cargo e sobravam atitudes de respeito aos julgados e à Constituição.
Eram ministros que impunham respeito à Corte e ao os julgamentos e decisões que adotavam posto que sequer querelavam ou se manifestavam aos quatro cantos sobre a pauta de julgamentos.
A vergonha sentida hoje pelo povo brasileiro sobre sua corte suprema é a manifestação mais eloquente para falar da sua insatisfação.
O povo brasileiro está dizendo entre outras coisas que não concorda com o ativismo judicial, não tolera a exposição dos ministros na mídia, detesta suas posições arrogantes, quer uma corte verdadeiramente judicial e chama os ministros às falas.
Quem tem ouvidos para ouvir que ouça pois o povo está dando um claro recado ainda que seja por meio de uma pesquisa de satisfação.
À Corte Suprema e aos seus membros cabe introjetar esse recado e mudar de prosa e de rumos se é que querem de fato salvar a vaca que já está no brejo há tempos.
Té logo!
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