Pulando fora

Por José Ricardo*

A situação do desgoverno de Bolsonaro está tão desastrada e absurda, com indicadores cada vez mais negativos e prejudiciais ao país, que muitos defensores e outrora aliados começam a “pular fora do barco”.

O desemprego altíssimo, a queda do poder aquisitivo da população, menos renda, a redução do consumo, o fim do aumento real do salário mínimo, a redução dos valores da aposentadorias, o aumento da energia, dos combustíveis e do gás de cozinha, e a redução dos gastos sociais afetam e incomodam a ampla maioria da população.

Cortaram recursos e investimentos nas universidades, escolas técnicas, instituições de pesquisa, para saneamento, para moradia (e tem milhões de famílias sem casa), além da retiradas de direitos previdenciários e ameaças à política de assistência social.

O dólar sem controle, com aumentos sucessivos, chegando a R$ 4,27, a mais alta cotação de duas décadas, assusta a economia. E o ministro da economia Paulo Guedes ainda diz que não tem problema se chegar a R$ 5,00. Tem problema sim, afeta as importações, prejudica a ZFM e empurra para mais aumento do combustível, já que o Brasil agora importa petróleo.

O presidente Donald Trump anunciou esta semana que vai aumentar a taxação do aço e do alumínio que os EUA importam do nosso país, acusando o Brasil de desvalorizar o real para favorecer as suas exportações.

Até carne está faltando e os preços foram para as alturas com as exportações. Já tem muita gente falando que terá que comprar mais ovos para alimentação e reduzir o consumo de carne.

O aumento da violência na sociedade assusta também. As polícias se sentem mais à vontade para atuarem de forma mais truculenta e letal. Em São Paulo, nove pessoas morreram pisoteadas, devido à ação desastrosa da polícia ao perseguir dois criminosos dentro de um baile funk.

A Democracia, a Constituição e as liberdades individuais são ameaçadas constantemente. Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, num rompante de apologia à Ditadura Militar, ameaçou a implantação de um novo AI-5 no país. E o ministro Paulo Guedes reforçou esta ameaça na semana passada, relativizando a existência do primeiro AI-5.

Esta semana, o Grupo de Investidores Sociais do Brasil, que inclui organizações como a Fundação Lemann, do empresário Jorge Paulo Lemann, que apoiou o golpe de 2016 e financiou vários políticos eleitos, divulgou nota com duras críticas à erosão do ambiente democrático brasileiro produzido pelo bolsonarismo.

O Jornal Folha de São Paulo, que também apoiou o golpe de 2016 contra a presidenta Dilma e apoiou a eleição fraudada de 2018, apelou para que o Poder Legislativo e o STF contenham os ímpetos autoritários do projeto neofascista de Bolsonaro. Aliás, é bom lembrar que ele só chegou ao poder com a conivência e apoio dos grandes meios de comunicação.

A senadora Simone Tebet, presidente da CCJ do Senado, também se pronunciou contra o Governo Bolsonaro, em entrevista concedida ao UOL e à Folha de São Paulo, dizendo que o governo se tornará insustentável se a economia não reagir e que “pessoas voltarão às ruas porque não têm teto para morar”. Esta senadora, que também apoiou o golpe de 2016, disse que o governo está “contaminado”.

O ex-braço direito de Bolsonaro, Gustavo Bebiano, que se filiou ao PSDB, disse que a represália do presidente Bolsonaro à Folha permite pedido de impeachment.

É um governo sem credibilidade, nacional e internacional. Com isso, os ditos aliados de outrora começam a pular fora do barco.

*O autor é economista e deputado federal pelo PT

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