Projeto leva acesso contínuo à água segura e energia limpa para moradores de comunidade

A comunidade Julião, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé, foi palco, neste sábado (10/01),  do lançamento oficial do Projeto Puxirum D’Água, iniciativa que busca garantir acesso contínuo, seguro e resiliente à água segura por meio da integração entre infraestrutura hídrica, energia solar e fortalecimento da gestão comunitária. O evento reuniu mais de 45 participantes, entre lideranças comunitárias, representantes de instituições públicas, universidades, concessionárias e organizações da sociedade civil.

Participaram da solenidade representantes da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), da Prefeitura de Manaus, do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) e da Amazonas Energia, fortalecendo a articulação interinstitucional em torno da agenda de água, saneamento, energia e adaptação climática nos territórios ribeirinhos da capital.

Desenvolvido pelo Instituto Puxirum de Inovação Social, o Puxirum D’Água é voltado inicialmente às comunidades da Agrovila e da Julião, que juntas somam 268 famílias e cerca de 1.000 pessoas beneficiadas diretamente. O projeto atua sobre um problema estrutural: a dependência de sistemas de bombeamento elétrico instáveis, que interrompem o fornecimento de água durante apagões, agravando riscos sanitários, sobrecarga do trabalho doméstico e dificuldades no funcionamento de escolas e unidades de saúde.

“A RDS do Tupé é um espaço histórico para o nosso Instituto. Foi aqui que começamos, é aqui que continuamos essa mobilização de possibilitar mais qualidade de vida. Direitos básicos e que deveriam ser obrigatórios. A comunidade da Agrovila e do Julião serão as comunidades-piloto a receberem essa infraestrutura, mas nosso objetivo é fazer isso dar certo e conseguir expandir para as outras comunidades do Tupé”, destacou Paulo Diógenes, gestor de projetos do Instituto Puxirum.

O projeto prevê a reabilitação dos sistemas comunitários de água, com recuperação das estruturas de captação, redes de distribuição e reservatórios, além da instalação de sistemas de bombeamento movidos a energia solar fotovoltaica. A adoção da energia solar elimina a dependência da rede elétrica instável, garante continuidade do abastecimento mesmo durante apagões, reduz custos operacionais e contribui para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

Além da infraestrutura, o Puxirum D’Água investe no fortalecimento da governança comunitária, com formações práticas para operadores locais, criação de comitês comunitários de água, implantação de fundo rotativo para manutenção e monitoramento técnico e social contínuo, garantindo a sustentabilidade dos sistemas ao longo do tempo.

Para Almir Rabelo, presidente da Comunidade Julião e anfitrião do evento, o engajamento popular demonstra a expectativa criada pelo projeto.

“A nossa comunidade está muito empolgada com esse projeto. Tanto é que, em um sábado pela manhã, lotou nosso centro comunitário para ouvir sobre essa iniciativa que vai nos trazer mudança de vida”, afirmou.

Já Alice Pimentel, presidente da Comunidade Agrovila, ressaltou a importância da energia solar para a regularidade do serviço. 

“A instalação das placas solares será muito importante para a gente. A energia é escassa e nos traz muitos problemas. Estão todos ansiosos e muitos felizes na minha comunidade. Agradecemos ao Instituto Puxirum.”

Mobilização para a revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico

Um dos pontos centrais debatidos durante o lançamento foi o apoio do Instituto Puxirum à mobilização das comunidades da RDS do Tupé para participarem da reunião da Revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico de Manaus, que acontece no próximo 10 de fevereiro. 

Atualmente, nenhuma comunidade rural do município é contemplada no plano vigente, o que significa que problemas como os vividos no Tupé não possuem responsáveis legais definidos nos órgãos públicos, nem enquadramento adequado para captação de recursos federais.

A proposta do Instituto é que a inclusão das comunidades ribeirinhas no Plano Municipal permita não apenas o reconhecimento institucional dessas demandas, mas também a ampliação dos impactos do próprio Puxirum D’Água, viabilizando cooperação técnica com órgãos públicos, definição de responsabilidades legais e acesso a novas fontes de financiamento para saneamento rural.

Financiamento internacional e cooperação socioambiental

O Projeto Puxirum D’Água é financiado pelo Fundo de Acesso à Energia (A2E), lançado em 2018 pela EDP, uma das maiores líderes globais do setor de energia, presente em 28 países. O Instituto Puxirum é o primeiro projeto brasileiro contemplado pelo fundo, que já apoiou iniciativas em diversos países africanos ao longo de sete edições. O projeto também conta com o apoio do Fundo Casa Socioambiental.

Um trabalho que se constrói no território

As ações do Puxirum D’Água seguem um cronograma que inclui diagnóstico participativo, obras de reabilitação dos sistemas de água, instalação dos sistemas solares, formações comunitárias, educação popular e monitoramento contínuo ao longo do ano, assegurando que a infraestrutura implantada esteja acompanhada de autonomia local e governança social.

O Instituto Puxirum já atua na RDS do Tupé por meio do Puxirum da Energia, que promoveu cursos de eletricidade básica, oficinas, diagnósticos participativos e ações educativas sobre energia e água, fortalecendo as bases para a implementação do novo projeto.

Com o Puxirum D’Água, o Instituto amplia essa trajetória, conectando água, energia, governança comunitária e políticas públicas como pilares para a resiliência climática e a melhoria da qualidade de vida nas comunidades ribeirinhas de Manaus.

FOTO: Luiggi Bacelar

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