Projeções indicam que Amazonas tem umas das maiores previsões de crescimento do PIB do país

O Amazonas segue ocupando uma posição de protagonismo quando observado os percentuais de perspectivas de crescimento econômico no país. Segundo estudo do Departamento Econômico do Santander, o PIB estadual deve crescer 3%, em 2026, e 2,5%, em 2027. Esta previsão coloca o estado como o que apresenta a terceira maior alta neste ano, superado apenas por Tocantins (3,8%) e Roraima (3,6%) e, no próximo ano, mantém-se na lista do topo de cima, atrás de Roraima (3%), Tocantins (2,8%) e Mato Grosso (2,7%).  

A média nacional aponta uma evolução de 1,8% e 1%, respectivamente. O levantamento reúne dados do PIB regional do IBGE até 2023 e projeções para o período de 2024 a 2027. 

Apesar deste destaque amazonense, há um movimento observado no estudo de moderação, alinhado ao cenário macroeconômico do país, mantendo, contudo, taxas positivas de expansão. A previsão de crescimento vem acompanhada de uma desaceleração nos percentuais de elevação em relação a anos anteriores (3,2%, em 2025).

O crescimento da economia do Amazonas será impulsionado sobretudo pelo de serviços. Há até um protagonismo nacional, já que, em 2026, a previsão de evolução de 3% é inferior apenas a Roraima, com 3,7%. Observando 2027, a alta projetada no estudo do Santander aponta para 2%. A média nacional deve seguir em 2% e 1%, respectivamente no mesmo período. 

“De maneira geral, o varejo na região Norte mostrou tendência de estabilidade ao longo de 2025. Ainda assim, de maneira similar ao observado em outras regiões do país, o setor mostrou aceleração no início de 2026. Esta tendência é mais evidente no Amazonas, além de Roraima e Acre. Atribuímos este comportamento à dinâmica favorável do emprego e da renda, além da nova rodada de impulso fiscal no período”, argumenta Henrique Danyi, economista do Santander. 

Já o agronegócio, após a expressiva expansão de 2025 (9,1%), apresenta um momento de leve estagnação: 2026 (0%) e 2027 (0,5%). O resultado se aproxima bastante da média nacional, respectivamente, 0% e 1%.

Em contrapartida, o resultado da indústria amazonense dados mais alinhados ao crescimento regional de maior elevação em relação ao contexto da média nacional. Segundo os dados do Santander, o estado se posiciona com uma previsão de alta de 3,5% em cada ano do biênio analisado, ante uma média nacional de 1,7% e 1,5% no mesmo período. Na região Norte, os dados apresentam alta de 3,5% e 3,2%, respectivamente.

“Após um desempenho mais aquém em 2023, a indústria do Amazonas mostrou retomada em 2024 e 2025. O início de 2026 foi mais favorável, com crescimento impulsionado pela demanda. Porém é necessário observar a indústria de transformação que vem mostrando um desempenho irregular”, ressalta Danyi. 

Segundo Rodolfo Pavan, economista do Santander e também um dos autores do estudo, a evolução da atividade econômica regional continuará refletindo fatores nacionais e eventos climáticos permanecem entre os principais riscos para o cenário projetado, especialmente diante da possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño nos próximos anos, com alteração nos padrões de chuva e temperaturas.  

“Mesmo com a desaceleração prevista a partir de 2026, o mapa econômico do país segue mostrando uma expansão disseminada. O desafio à frente deixa de ser crescer mais rápido e passa a ser crescer com menos impulso cíclico, maior heterogeneidade regional e sensibilidade crescente a choques climáticos e financeiros”, conclui Pavan.

Qual Sua Opinião? Comente:

Deixe uma resposta