Previdência: a reforma das reformas 

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Desde a redemocratização do nosso país no início dos anos de 1980 ouvimos falar da necessidade de ajuste nas contas da previdência social porém, foi mesmo a partir do início dos anos 2000 em que melhoramos e muito o índice de expectativa de vida no Brasil alcançando atualmente 76 anos, que agudizou o problema relacionado ao equilíbrio entre receita e despesa levando o país a desembolsar a cada ano bilhões de reais para sustentar o pagamento de aposentadorias e pensões posto que há muito mais gente recebendo benefícios do que ativos contribuindo com os cofres da previdência.

Some-se a isso a visão própria de governos com viés socialista de que a previdência pode sustentar mordomias, abrir os cofres para generosas ações como pensões e seguros sociais, auxílios de toda natureza, aposentadorias precoces, numa ruma de benefícios que ampliam em muito o leque de despesas sem a mesma e devida preocupação com o aumento das formas de contribuição para sustentação de tantos gastos adicionais.

Em termos de previdência não há almoço grátis! Ou se busca as fórmulas necessárias para o seu auto financiamento promovendo-se o equilíbrio entre o que sai garantindo ao mesmo tempo o fluxo de entrada por meio da contribuição por parte de quem a sustenta, ou a previdência caminhará como caminha para o estrangulamento levando o país a um estado de total entropia nas suas contas pública como aliás já estamos experimentado.

A cada ano assistimos governos e o congresso nacional inermes jogarem para debaixo do tapete a solução para o déficit da previdência hoje na casa dos dos 270 bilhões de reais anuais, preferindo prolongar o sofrimento da entidade e consequentemente das contas públicas, a promoverem a reforma profunda, necessária e urgente que o caso clama.
Somente um governo e um congresso nacional irmanados e verdadeiramente preocupados com o país e com o equilíbrio das contas públicas terá a coragem de realizar uma reforma ainda que a possível sem se preocupar com o próprio umbigo.

O que não se pode permitir é que todos assistam contemplativamente a bancarrota do país, o descrédito internacional e o continuo desmonte da previdência sem que se aja com os meios apropriados permitindo-se a retomada da confiança, o crescimento econômico e a salvação da previdência com o que estaremos preparando o Brasil para um futuro mais promissor e retorno ao patamar entre as nações mais ricas financeiramente, mais justas socialmente e mais equilibradas politicamente.

Té logo!

*O autor é farmacêutico bioquímico e diretor-presidente da Fundação Hospital Alfredo da Matta

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