Prefeitura embarga obra de Faculdade que causou cratera e ameaçava fundações de prédio no Vieiralves

Uma obra de uma faculdade particular localizada na rua Ametista, no bairro Nossa Senhora das Graças, zona Centro-Sul, foi embargada, nesta terça-feira, 19/5, após equipes da Prefeitura de Manaus identificarem risco iminente de novos desmoronamentos envolvendo a via pública.

A ação foi realizada de forma integrada com equipes do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), em conjunto com a Defesa Civil do Município, Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU). Uma primeira vistoria foi feita nessa segunda-feira, 18/5, por técnicos da Defesa Civil e Implurb.

O embargo ocorre após o avanço de uma erosão provocada pelo desbarrancamento de um talude na área da obra, agravado pelas fortes chuvas registradas na capital. Parte da erosão avançou em direção à rua, comprometendo a segurança de motoristas, pedestres e moradores da área.

De acordo com o diretor-presidente do Implurb, Antonio Peixoto, a obra possui licença para execução, mas o muro de arrimo previsto no projeto não foi executado conforme aprovado.

“Essa é uma obra privada de uma faculdade particular. A obra conseguiu licença no ano passado, mas o muro de arrimo não foi executado na forma adequada. Diante desse desmoronamento do talude, houve um avanço significativo da erosão sobre a via pública, o que hoje representa um enorme risco para as pessoas que transitam na parte superior”, afirmou.

Segundo Peixoto, a fiscalização realizada pelo Implurb, em conjunto com a Defesa Civil, constatou a necessidade urgente de reconstrução da contenção da área. Com base nisso, o município decidiu aplicar o embargo da obra fundamentado no Código de Obras de Manaus.

O artigo prevê a paralisação imediata de obras em casos de risco à segurança de pessoas, bens, instalações ou equipamentos públicos.

“Com base no artigo 38 do Código de Obras do município de Manaus, essa obra será embargada por trazer risco às pessoas. A empresa responsável precisará apresentar um plano de ação para mitigar os riscos antes que qualquer atividade possa continuar”, reforçou o presidente do Implurb.

A Defesa Civil informou que acompanha a situação desde fevereiro e classificou o local como área de risco iminente. O secretário-executivo do órgão, Lima Júnior, destacou que a inclinação do talude preocupa as equipes técnicas e que novas chuvas podem agravar ainda mais a situação.

“Nós estamos praticamente com um talude em 90 graus. Mesmo com a redução do período chuvoso, ainda podemos ter chuvas convectivas devido às altas temperaturas na Linha do Equador, o que pode causar novos desmoronamentos e prejuízos à população”, explicou.

Segurança

Lima Júnior ressaltou que o foco da atuação conjunta da prefeitura é preservar vidas e evitar que o problema avance sobre a área urbana. “O mais importante aqui é preservar vidas e realizar um trabalho técnico integrado entre todos os órgãos da Prefeitura de Manaus”, disse.

Durante vistoria da Defesa Civil e órgãos municipais foi identificada a existência de fissuras na via pública, o que demonstra movimentação do maciço de solo em direção ao terreno da construção.

“Não foi observada nenhuma estrutura de contenção capaz de estabilizar o talude, que hoje apresenta inclinação próxima de 90 graus. A combinação entre o corte acentuado do terreno, a ausência de contenção adequada e o impacto das águas pluviais contribuiu para o deslocamento de massa registrado no local. Por se tratar de uma via de grande circulação de veículos e pedestres, foi necessária a atuação conjunta dos órgãos municipais para indicar o embargo da obra e a interdição da área, visando preservar vidas e evitar novos acidentes”, explicou o chefe da Divisão de Minimização e Prevenção de Desastres (Diprev), Renato Martins.

Gerente de mercado do entorno da construção, Italo Cardoso Moreira, de 25 anos, disse que a ação da prefeitura foi muito importante, porque a situação vinha causando insegurança e prejudicando diretamente o comércio e os moradores da região.

“Muitas pessoas passaram a evitar a rua por medo do avanço da erosão, principalmente depois das últimas chuvas, que agravaram ainda mais o problema. Aqui é uma área de grande circulação, com mercados, clínicas e atendimento a crianças, inclusive pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), então o risco afetava todo mundo que passa pelo local diariamente. Agora esperamos que a situação seja resolvida para devolver segurança aos moradores, comerciantes e clientes da região”, comentou Italo.

Drenagem

Conforme o secretário da Seminf, Madson Lino, o empreendimento está submetido às exigências da Lei nº 1.192/2007, conhecida como Lei do Proáguas, que determina que obras acima de 500 metros quadrados tenham projeto de drenagem aprovado pelo município.

Segundo ele, o processo apresentado pelo empreendimento ainda não recebeu aprovação definitiva. “O projeto de drenagem deu entrada em meados de 2024 e permanece pendente de aprovação devido à ausência de documentos e necessidade de correções técnicas”, afirmou.

Chefe da Divisão de Controle (Dicon) do Implurb, a arquiteta Maria Aparecida Froz informou que o proprietário deve seguir com um plano de ação emergencial capaz de sanar os problemas identificados no local. “Somente após a adoção das medidas necessárias e a garantia de segurança para a população será possível avaliar o desembargo”, concluiu.

Agora, além do embargo, a empresa responsável deverá apresentar soluções emergenciais para estabilização do terreno e contenção da erosão, sob acompanhamento dos órgãos municipais.

Qual Sua Opinião? Comente:

Deixe uma resposta