Por Ronaldo Derzy Amazonas*
Volto à carga no assunto ética e, como no artigo da semana anterior citei CORTELLA, avanço mais um pouco desta feita buscando abrigo numa das maiores pensadoras contemporâneas, SIMONE DE BEAUVOIR, que foi quem propôs uma interessante teoria filosófica denominada AMBIGUIDADE ÉTICA ou MORAL AMBÍGUA.
E o faço, no sentido de adentrar no campo das relações políticas, institucionais, sindicais e até humanas visto que nessa seara pra mim deve prevalecer sobretudo a palavra empenhada, a representatividade honesta e a firmeza de propósitos.
Não basta demonstrar-se honesto é preciso de fato ser honesto quando se aceita representar uma determinada categoria social seja onde for.
Em um artigo publicado aqui há dois anos eu tratei desse mesmo assunto e o reproduzo quase que na íntegra mantendo sobretudo alguns exemplos protagonizados por três personagens da história recente os quais poderiam muito bem serem personagens de laboratório da pensadora francesa na sua sábia e atualíssima teoria social.
Eis então parte do meu artigo de 2016:
As máfias, especialmente a siciliana, são regidas por um código de ética em que os chefões ditam certas regras comportamentais a serem regiamente seguidas pelos escalões mais baixos. Conta-se que certa vez um soldado ou associado apaixonou-se (o que é terminantemente proibido) pela esposa de um companheiro seu de crime. Sabendo que poderia perder a vida se transgredisse a ética da organização, foi ter com o capo afim de aconselhar-se. Este de pronto aplicou-lhe tremenda admoestação porém, disse ao soldado que só havia uma maneira de manter o idílio amoroso sem ferir os princípios da máfia. Orientou então o apaixonado associado a matar seu oponente concluindo:-O código de ética da organização não proíbe apaixonar-se por viúvas.
Certa feita, Pablo Escobar o maior traficante de cocaína de todos os tempos, diante da iminente derrocada dos negócios após as bem sucedidas incursões do FBI e do exército colombiano sobre o tráfico, publicou um comunicado à nação onde lamentava que essas investidas causariam uma perda brutal de receita ao país além de produzir o desemprego de milhões de colombianos que viviam da produção, do refino e da comercialização da cocaína.
Lula, em um dos seus inflamados e confusos discursos, dirigindo-se a plateias amestradas assacando impropérios sobre o Juiz Sérgio Moro vociferou:- Será que o Moro tem noção do mal que ele está causando à economia do Brasil? Será que ele não sabe que essa operação lava a jato vem causando a perda de milhares de empregos no país?
Há representantes sindicais, inúmeros políticos e agentes públicos próximos da gente capazes ainda de produzir, com suas tiradas confusas e toscas, certos posicionamentos que os remetem a tornarem-se personagens beauvarianos da atualidade dado que encarnam vivamente um comportamento moral e um discurso ético pra lá de ambíguos que colocam no chinelo Salvatore (Totó) Riina, Pablo Escobar e Lula da Silva.
Té logo!
*O autor é farmacêutico e empresário
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