Políticas de atenção à saúde da mulher

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O Amazonas é o primeiro no ranking nacional de mortes de mulheres por câncer de colo de útero. Mais de 250 mortes por ano, 75% só na capital, uma média de 23,5 óbitos/mês. As vítimas são jovens e em plena capacidade de trabalho.

Os números são alarmantes para uma doença 100% evitável, com tratamento e cura totalmente esclarecidos, com prevenção via vacina, exame periódico e intervenção cirúrgica e que leva de 10 a 15 anos para aparecer e se desenvolver na sua forma mais grave.

Esse é o retrato cruel da saúde da mulher em Manaus, resultado também de gestões municipais despreparadas, com muitas falhas nas políticas de saúde básica, foi tema de um debate virtual que realizei semana passada, com a participação de médicos especialistas e gestores da Fundação Cecon (Centro de Oncologia do Amazonas), para nos ajudar na construção do Plano de Governo Municipal (2021-2024), de forma democrática e participativa.

Os médicos alertaram que a maioria das mulheres do Estado não faz preventivo. Não faz pela dificuldade de acesso ao exame e pela longa espera pelo resultado do exame, principalmente, quem mora no interior. Só em Manaus se faz biópsia de colo uterino e só existem cinco policlínicas para esse atendimento, sendo três do Município e duas do Estado. E de hospital especializado, só existe a Fundação Cecon para fazer as cirurgias, hoje com 100 mulheres nessa fila de espera.

Segundo Mônica Melo, médica ginecologista da Fundação Cecon, a vacina contra o HPV aplicadas nos adolescentes entre 9 a 14 anos tem trazido bastantes resultados na prevenção do câncer de cólon de útero. O Amazonas em 2013, foi o pioneiro ao aplicar a vacinação nas escolas. No entanto, a transferência da vacinação das escolas para um posto de saúde reduziu em 40% a adesão à vacina.

Mas a saúde feminina não se resume apenas às questões ginecológicos. Há também a necessidade de políticas para a saúde da mulher que inclua ações preventivas, mas também com diagnóstico, tratamento e recuperação. Além do atendimento no pré-natal, parto e puerpério, como também no planejamento familiar e no combate à contaminação de DST, dentre outras necessidades.

E não podemos esquecer da saúde das mulheres negras, quilombolas, indígenas, do campo e da floresta, que exige uma política de ações destinadas a reduzir as desigualdades em saúde. Como ainda, proporcionar maior atenção às questões específicas de saúde de cada uma.

Na campanha para prefeito em 2016, defendi a construção de um Centro Especializado na Saúde da Mulher. Hoje, a rede de atenção básica em Manaus não chega a 40%, com deficiências na estratégia da saúde da família e sem UBS em todos os bairros.

Por isso, precisamos planejar e ampliar as ações em saúde, focados na prevenção, para que o atendimento chegue a todos e todas, evitando muitas mortes devido à falta de assistência, principalmente das mulheres do nosso estado.

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