Pandemonium

Tô por ver expressão tão adequada para significar o momento, o espaço, os fatos e as consequências que a pandemia causada pelo novo coronavírus está impondo à humanidade.

Fui pesquisar a etimologia da palavra pandemônio aí me deparei com esse texto extraído do site Etimologista da Isa Mendes que reproduzo abaixo:
“Este nome foi criado por Milton, de duas palavras gregas que significam domínio de tudo, do latim pandemonium, para designar o palacio de Satanás.É no primeiro canto do seu “Paraiso Perdido”, que o poeta descreve este edifício fantástico, cujo nome veio a ter uma significação mais ampla, denotando o conluio dos indivíduos para fazer mal ou armar desordens, sendo sinônimo de balbúrdia, tumulto e confusão. José do Patrocínio em “Os Retirantes” escreve: “As crianças, esfaimadas e nuas, tentando romper a aglomeração compacta, eram maltratadas e atropeladas; as mulheres, não podendo caminhar, choravam e maldiziam. Do meio desse pandemônio de lágrimas, de maldições, de ais doridos, sobressaíam de quando em quando gargalhadas estentoreas, assovios e gritos perseguindo ladrões”.
Vejam, Milton diz que no seu imaginário “edifício fantástico(Brasil?)existia “conluio dos indivíduos(Maia e Alcolumbre?)para fazer o mal(conspirações?) ou armar desordens(golpes?).
Qualquer semelhança com o tempo em que estamos mergulhados não é mera coincidência e é exatamente na política que a pandemia veio a causar o maior pandemônio de que se tem notícia na história recente do nosso país senão vejamos.
Há um Presidente da República que não cedeu às pressões do parlamento para retomar o toma lá dá cá naquilo que se convencionou chamar de governo de coalizão onde os partidos dividem o butim dos cargos nas estatais, no executivo, nas empresas do governo e nos ministérios, vê-se emparedado pelos dirigentes da Câmara e do Senado e por um punhado de políticos fisiológicos do tal centrão a fim de ceder à sanha maldita da corrupção e da mesmice política de antanho que tanto infelicitou o país e a nação levando-os quase à bancarrota.
Por outro lado assistimos quase paralisados, posto que o povo quedou-se inerme pelo isolamento social dentro de suas casas, a um verdadeiro bombardeio da mídia televisiva e outros meios de comunicação de massa disparando a cada segundo uma saraivada de críticas, análises distorcidas e pesquisas de satisfação popular inoportunas e duvidosas, num orquestrado e milimétrico discurso com a intenção de jogar a nação conta o governo central. Tentativa de golpe?
Repito uma pergunta que teima em ser feita e refeita: Qual governo, país, estado, província, município, economia, empresa, banco, comércio, povo e nação, estavam preparados para uma pandemia avassaladora como essa? E respondo: -Nenhum nem ninguém!
Ora bolas! então porque cargas d’água querem impingir no governo brasileiro todas as culpas, exigir eficiência em todas as ações, cobrar rapidez nas medidas, impor eficácia em todas os atos e esperar que todos os resultados sejam positivos?
Estamos enfrentando a maior guerra não declarada da nossa história e o país vai injetar na economia (de onde não tem pra tirar) quase HUM TRILHÃO de reais na tentativa de salvar vidas humanas, empresas em bancarrota, estados em dificuldade e empregos de milhões de brasileiros e tem gente que ainda quer mais?
Não! definitivamente não, essa não é apenas uma guerra ideológica entre direita e esquerda, entre governo e parlamento ou entre pobres e ricos. Essa é uma disputa política que antecipa 2022 e, quanto maiores forem as dificuldades impostas ao governo federal, quanto maiores forem os constrangimentos que se impuserem ao presidente, quanto mais fazerem sangrar um governo que estava tirando o país do caos político, social e econômico, muito mais robustas as chances de vitória dos abutres em permanente plantão em busca da carniça que restar.
Lembremos que popularidade em baixa não derruba ou derrota governante mas, economia em queda e recessão, acabam com quaisquer pretenções políticas de quem quer que seja.
Nessum dorma (Ninguém durma), insiste em dizer a famosa ária da ópera Turandot de Giacomo Puccini, só que, diferentemente do ato em que uma princesa pede que ninguém durma até que se descubra o nome do príncipe, um pretendente seu, aqui pelas plagas brasileiras, o príncipe tem nome, endereço e atitudes bem conhecidas, na tentativa de tomar o poder dando um golpe no rei pra roubar o país como o faz outro príncipe-o barbudo e seu partido, ambos com passados de corrupção e desvios éticos e morais.
Triste do nosso país com seus pandemônios (mais demônios do que pans) e uma pandemia a aterrorizar nossa gente que só quer se salvar,  trabalhar e viver-não necessariamente nessa ordem, fazendo o Brasil crescer e prosperar.
Venceremos!
Té logo!

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