Pandemia e religiosidade

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Pra começo de conversa é bom que se diga que todos os adivinhos, os prestidigitadores, os profetas do caos, os astrólogos, videntes de bolas de cristal, jogadores de búzios e cartomantes que costumam divulgar aos quatro ventos suas previsões especialmente aquelas de fim de ano relacionadas com fenômenos climáticos, guerras, conflitos, mortes e males da humanidade ou dos indivíduos, quedam-se calados e, com certeza pasmos, por não terem sequer lançado umazinha sequer previsão sobre a pandemia arrasadora causada pelo vírus chinês que assola a humanidade presentemente. Já não se fazem mais adivinhos como antigamente!

Pra quem costumava decifrar e antecipar resultados eleitorais um ano antes, conseguia prever mortes, sucesso ou fracasso de famosos, adivinhar catástrofes e até meter o bedelho em relacionamentos, na vida e no futuro das pessoas, terem sido esquecidos ou ignorados no envio das mensagens do além sobre a chegada de uma pandemia dizimadora, perderam completamente o bonde da história. Ou trocam de profissão ou mudam de vida!

Mas, falando (mais uma vez) no novo coronavírus e as tragédias humanas individuais e coletivas provocadas por ele, as consequências mais terríveis que essa pandemia tem causado está relacionada, no meu reduzido universo analítico, com a perda da práxis religiosa por parte dos leigos cristãos e dos demais seguidores de crenças e doutrinas religiosas principalmente aquelas em que o ajuntamento e a proximidade fazem toda a diferença seja para prestar culto aos seres divinos os quais adoram e veneram seja para realizar as orações comunitárias tradicionais.

Como cristão católico, estar afastado dos sacramentos especialmente o da comunhão, da confissão e demais atos, cerimônias e tradições religiosas da fé que abracei, impõe-me certa dose de tristeza e vazio espiritual que nunca antes havia experimentado em mais de cinquenta anos, desde que após ser batizado, feito a primeira comunhão, crismado e casado em obediência aos ritos da minha religião, quedei-me impotente diante da falta de acesso às celebrações e demais atividades pastorais às quais estava acostumado, enquanto cristão engajado que sou, nas atividades leigas da minha paróquia. Não é fácil!

Entretanto, o que mais dói e causa-me especial reflexão é o fato de que, este ano, além das missas apenas virtuais e das atividades pastorais em recesso, atravessamos uma Quaresma em isolamento, uma Semana Santa com uma aura sombria, uma Páscoa do Senhor sem o tradicional brilho e, mais recentemente, um Pentecostes e um dia de Corpus Cristi vazio e cinzento. Vá-lha-nos Deus! Sem contar com as festas dos Santos com suas tradicionais procissões e quermesses especialmente as da quadra dos festejos juninos. Uma pena!

As pandemias, como já o disse em alguns artigos anteriores, têm esse lado sombrio e nefasto de promover, por meio da imposição do isolamento social, a separação entre famílias, a segregação de gentes, a perda da identidade coletiva e a total falta de capacidade humana de se integrar, reagindo por meio da fé coletiva e das práticas religiosas, em busca de respostas e soluções para a mitigação dos efeitos danosos no emocional individual e no seio da coletividade dos que creem em Deus ou nas entidades das suas crenças espirituais individuais.

Sei que Deus, do alto da sua Onipotência e Onisciência, acompanha com olhar paterno tudo o que rodeia e assombra sua criação terrena e decidirá em qual momento haveremos de nos livrar dessa praga porque, de tal modo amou a humanidade que nos deu deu seu próprio Filho para, estando conosco, no libertar dos males, da dor e do sofrimento e logo, logo, haveremos de nos reunirmos nas missas, cultos, reuniões pastorais, procissões, festas e celebrações litúrgicas próprias do calendário das igrejas onde quer que elas estejam presentes. Eu creio! Vai passar.

Té logo!

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