Olhadinha

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

O tal padrão Global é uma imposição quase praga tão forte, que os sotaques mais acentuados do Sul como por exemplo aquele indefectível “errrreee” no final das palavras ou a letra “i” carregada dos nordestinos e, até certos regionalismos, os quais são evitados ou proibidos de serem vocalizados pelos repórteres ou apresentadores.

Sendo eu um antenado e atento telespectador, tem me chamado atenção mais recentemente aquela olhadinha enviesada que o apresentador do programa dominical Fantástico, quando em plano pessoal, olha rapidinho para um lado, para o outro ou até para baixo, e retorna imediatamente para as câmeras, gesto que desgraçadamente viralizou como praga entre repórteres e apresentadores de emissoras afiliadas e até por gente de empresas de comunicação concorrente.

Mas, o que é hilário nesses gestos, é que nem todo repórter ou apresentador tem o talento necessário ou é treinado o suficiente para reproduzir esse gesto cênico que no final sai de um modo visivelmente forçado e atrapalhado e só nos resta, enquanto telespectadores, gozar dessa falta de criatividade ou da completa ausência de autenticidade das empresas de tv regionais que aceitam e reproduzem tudo o que a emissora mãe determina. Tem gente, nas redes sociais, que de forma amadora faz muito melhor e mais natural esse gesto.

E não é só de olhadinha que quero falar e falar mal não!

Uma profusão de comportamentos, cenários, fundos musicais, figurinos, gestos e palavras teimam em ser copiados e impostos e que impedem que a criatividade, o talento e a própria rica identidade regional de um país multicultural e multirracial sejam divulgados e conhecidos de norte a sul e de leste a oeste, para que o país se aproxime mais e mais por meio de um poderoso meio de comunicação que ainda é a televisão.

Mais que um padrão, existe uma criminosa uniformização sendo imposta há anos pelas emissoras mãe do Sul e Sudeste às suas afiliadas do Norte e do Nordeste o que descaracteriza as culturas regionais e impede que encurtemos as distâncias em um país carente de conhecimentos de si mesmo e que recorre desafortunadamente e se permite abusar dos estrangeirismos seja no falar, no vestir, no comer e até no pensar.

Vôte!

Té logo!

*O autor é farmacêutico bioquímico e diretor-presidente da Fundação Hospital Alfredo da Matta

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