O embargo de uma obra realizada pela empresa Cacau Show no Largo São Sebastião não apenas danificou uma área histórica de Manaus, inclusive quebrando pedras centenárias, como também mostra que não houve consultas a quem tem noção do que representa o local. “O que esse acontecimento nos leva a refletir sobre o futuro desse espaço emblemático de Manaus? “Quando nos deparamos com o embargo de uma obra, é inevitável questionar se as intervenções atuais estão alinhadas com a essência e o propósito inicial do Largo. É aqui que entra o papel da consultoria em arquitetura e urbanismo, diz a conselheira e vice-presidente do Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo (CAU-AM), Melissa Toledo.
“Estas pedras que quebraram têm mais de 125 anos. Foi um crime o que fizeram. Interferiram na parte antiga da via. Além de ignorância de quem interviu, faltou autoridade para coibir”, diz o historiador e ex-secretário de Cultura do Estado, Robério Braga.
O Largo São Sebastião surgiu como uma intervenção na paisagem urbana de Manaus no final da década de noventa, marcando-se como uma fusão entre romantismo e ecletismo arquitetônico. Melissa destaca a importância desse espaço como uma representação única da arquitetura regional e das políticas públicas da época, que visavam não apenas restaurar elementos arquitetônicos perdidos, mas também criar um ponto de encontro cultural e gastronômico.
Melissa ressalta a necessidade de que tanto o setor público quanto o privado sigam os ritos administrativos para preservar o patrimônio cultural. Ela enfatiza que as intervenções devem considerar não apenas os aspectos estéticos, mas também a inserção de elementos econômicos que garantam a sustentabilidade do espaço.
“É de suma importância uma abordagem consultiva na arquitetura e urbanismo, que vai desde a supervisão e coordenação de projetos até a análise de viabilidade e assessoria técnica. A consultoria não apenas oferece suporte técnico, mas também propõe soluções criativas e viáveis dentro das normativas vigentes.” Afirmou a arquiteta.
Diante desse embate entre preservação patrimonial e desenvolvimento econômico, Melissa Toledo ressalta a necessidade de um diálogo aberto e colaborativo entre todos os envolvidos. Somente assim será possível encontrar um equilíbrio entre a revitalização do espaço urbano e a proteção de seu valor histórico e cultural.
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