O presidente de que o Brasil precisa

Por Carlos Santiago*

O Brasil precisa de um presidente que promova diálogos, que busque a pacificação dentro e fora do governo, que eleve o debate sobre temas importante para o País, que traga consensos e aprove reformas necessárias para a retomada do crescimento e desenvolvimento econômico, que reúna trabalhadores e empregadores para facilitar medidas contra o desemprego, que conduza um pacto federativo de redistribuição de competências e de verbas e que busque uma boa governança com a participação dos poderes da República.

Infelizmente, o atual Chefe de Estado brasileiro e de Governo não demonstra ter esse perfil. Ele sempre prefere o confronto ao diálogo: nomeia ministros que parecem não gostar das áreas em que atuam, como o ministro da educação, do meio ambiente e o das relações exteriores.

Sem nenhum diálogo com os reitores das universidades e institutos federais, o ministro da educação fez contingenciamento de quase R$ 2 bilhões, dinheiro destinado à manutenção, aos investimentos e à pesquisa. O argumento utilizado no início pelo ministro foi o de que as universidades viraram centros de balbúrdia (desordem barulhenta, vozearia, algazarra, tumulto), nas dependências dos campi. Inconformados com a decisão do ministro, estudantes, professores e trabalhadores protestaram nas ruas. A reação do senhor presidente foi fora do padrão de um chefe de Estado, acusando os manifestantes de idiotas úteis e de massa de manobra. Ambos, o presidente eleito e o ministro, preferiram o conflito, deixando de lado o diálogo e a busca de uma solução compartilhada.

O Ministro do Meio Ambiente não é diferente. Ele não tem uma agenda de comunicação com os servidores do ministério e nem com a comunidade científica nacional, preferindo ser hostil aos servidores dos órgãos que atuam contra a exploração ilegal de madeira, impedindo-os até de destruírem equipamentos usados em crime ambiental, como acontece no Estado de Rondônia, uma postura que contrasta o que descreve o decreto presidencial 6.514 de 2008. O ministro também desobedece a pareceres técnicos, flexibiliza as regras sobre descarte de resíduos da perfuração de poços de petróleo e sobre o controle de agrotóxicos, além de bloquear 95% dos fundos destinados às mudanças climáticas no Brasil, e 38,4% ao controle de incêndios florestais. O próprio Bolsonaro já se negou a sediar um evento oficial da ONU para discutir mudanças climáticas, agindo sempre, ele e o seu ministro, em confronto com os organismos internacionais, a comunidade científica do País e os servidores ambientais.

O ministro das Relações Exteriores já deu declarações inadequadas que causaram conflitos com os países árabes, com a China e com os dirigentes da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), envolvendo-se, inclusive, numa polêmica desnecessária sobre a origem do nazismo, gerando ruídos diplomáticos com membros do Estado de Israel e da Alemanha. Reforçando sua posição, ainda disse o presidente que era possível perdoar o holocausto, o que o levou, posteriormente, como chefe de Estado, a pedir desculpas aos Judeus.

Isso tudo são exemplos de falta de comando, de preparo e de habilidade de um presidente e Chefe de Estado que deveria buscar a união, a boa governança, o respeito das instituições e uma melhor relação com os países amigos, com a comunidade científica e com os servidores públicos, a fim de que o Brasil volte ao caminho do desenvolvimento e da paz.

*O autor é sociólogo, analista político e advogado

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