O povo nas ruas

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As manifestações de protesto ocorridas no último dia 29 de maio, contra o descaso do Governo Federal no combate à pandemia e os cortes de recursos na educação, levaram milhares de pessoas às ruas de Manaus e em inúmeras cidades brasileiras. Enquanto isso, os professores do Estado e de Manaus não aceitam o retorno às aulas, sem garantia de vacinação e segurança para os educadores.

Os protestos de sábado foram organizados por centrais sindicais, entidades estudantis, movimentos sociais, partidos políticos e ocorreram nas 27 capitais e em 213 cidades brasileiras, reunindo cerca de meio milhão de pessoas, que foram às ruas para se manifestar contra as mortes, e contra a negligência e a incompetência do Governo Bolsonaro no combate à pandemia, que já matou 462 mil pessoas.

Em algumas localidades, como na cidade de Recife/PE, a tropa de choque da Polícia Militar jogou bombas de gás lacrimogêneo, lançou gás de pimenta e deu tiros com balas de borracha contra os manifestantes, ferindo várias pessoas. A mesma atitude não teve a polícia, quando das manifestações a favor de Bolsonaro.

Entre frases nos cartazes e faixas que pediam o impeachment de Bolsonaro, muitas exigiam a vacinação da população. O Brasil só imunizou 10% da população com a 2ª dose, até este final de semana. Super atrasado. Um dos cartazes dizia que “o povo quer mais vacina e menos cloroquina”. Outra lembrava da fome que já ronda a vida dos brasileiros, ao lembrar uma frase que já está em todo Brasil: “Vacina no braço e comida no prato”.

Participei da manifestação em Manaus. Estava apreensivo, visto que a contaminação ainda é grande e temia pela aglomeração. Mas fiquei surpreso com a consciência dos participantes quanto ao uso de máscaras e álcool em gel. Muito diferente da manifestação dos apoiadores de Bolsonaro, que fazem questão de andar sem máscara, e apoiando o negacionismo do presidente, que é responsável por tantas mortes no país.

Acredito que as manifestações seriam maiores, se a campanha de imunização estivesse mais avançada. Os estudantes protestavam contra os cortes de recursos das universidades e institutos federais. Na Ufam, os cortes foram de 30% e muito mais no Ifam. Trabalhadores do Distrito Industrial protestavam contra as ameaças aos empregos e à ZFM por parte do presidente e do ministro da economia, Paulo Guedes.

Também tiveram manifestações contra as privatizações dos Correios, da Eletrobrás, da Petrobrás e o desemprego gerado e a entrega de patrimônio público e estratégico para os interesses privados e estrangeiros.

Jovens, negros, mulheres protestavam contra a política de violência que cresceu no país, aumentando as discriminações, atos de intolerância, retiradas de direitos e destruição de políticas afirmativas e de oportunidades no trabalho e na educação.

Os indígenas denunciavam as ações do Governo contra os povos e as terras indígenas, com projetos que ameaçam seus direitos e suas terras, e a falta de ações governamentais contra os garimpos e a exploração ilegal em terras indígenas. Da mesma forma, os protestos lembravam o descaso ambiental, com desmonte de fiscalizações que favorecem o desmatamento e os crimes ambientais.

Não foi esquecido o título concedido por alguns deputados da ALE ao presidente, que não merece tal honraria, pois é considerado inimigo do Estado e do povo. E muitos esperam que a CPI mostre todas as ações e omissões criminosas desse Governo, que favoreceu tantas mortes na pandemia.

Muitos professores presentes na manifestação. Não aceitam a volta às aulas impostas pelo governador Wilson Lima e o prefeito David Almeida. Muitos professores só foram vacinados com a 1ª dose. Não há segurança e garantia de imunidade, se não tiver a 2ª dose. Os sindicatos decidiram parar as atividades. Nesta 2ª feira, teve carreata contra a decisão do Governo.

Encaminhei solicitação para que a Seduc e a Semed apresentem laudos técnicos de inspeção que atestem o plano de segurança de retorno às aulas. Muitas escolas não têm condições físicas adequadas.

A tendência é que os protestos aumentem. E o questionamento dos professores também. É justo e importante esses posicionamentos em favor da vida, que está ameaçada pelas atitudes dos atuais governos Federal, Estadual e Municipal.

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