Meses atrás assisti um vídeo de um padre de excelente formação teológica, moral e humana, abordando um tema que, por parte de mim apressadamente analisado, me causou certo impacto
Ocorre, que ao longo do vídeo ante o aprofundamento do tema, passei a entender e concordar plenamente com a feliz abordagem.
O padre explicou de um modo muito seguro dentro da catequese católica e humana, que nós precisamos ter com os irmãos de fé e até de relações de amizade mais próximas, um tratamento respeitoso sem sermos coniventes, que devemos ouvir opiniões mas discordarmos ou corrigirmos excessos, podemos até andar com gente de espectros políticos e de fé diferentes mas sem aderirmos às teorias e doutrinas contrárias à fé católica.
Enfim, o cristão católico precisa estar atento e antenado com aquilo que a catequese católica nos ensina, a fim de podermos combater e ensinar o que é correto sem nos preocuparmos com o respeito humano.
Mas, o que vem a ser o respeito humano dentro das relações entre criaturas de Deus de diferentes sentimentos, formações, religiosidades, fé, comportamentos e escolhas ideológicas e politicas?
Pois é isto então que este artigo se propõe a levar aos meus diletos leitores, principalmente depois que aprendi a levar a sério o respeito humano dentro de uma lógica de fé sem me afastar logicamente do ponderável sentimento de bondade para com quem pensa ao contrário de mim.
Vou dividir então este artigo em duas partes obviamente para que não se transforme numa leitura cansativa e que não permita um aprendizado mais concreto sobre o tema.
Lembro, por oportuno, que esse artigo são excertos de um belo texto elaborado pelo grande sacerdote católico Padre Paulo Ricardo que dispensa apresentações dada sua incomparável formação doutrinária católica e humana.
“De certo ângulo, o “respeito humano” parece uma coisa boa. Afinal, devemos respeitar, honrar e valorizar-nos uns aos outros.
O que, então, significa o pecado do respeito humano? É aquele pecado em que tememos o homem mais do que a Deus; estamos mais preocupados com o que as pessoas pensam de nós do que com o que Deus pensa de nós.
Esse é um medo profano e pecaminoso, que está na raiz de muitos de nossos pecados, tanto de obras quanto de omissão.
Consideremos alguns exemplos:
- Um homem se dirige a um grupo de colegas de trabalho que estão falando sobre o chefe e também, de forma inadequada, sobre algumas mulheres do escritório. Ele sabe que os comentários depreciativos sobre o chefe são injustos ou até mesmo falsos. Ele também sabe que falar sobre as mulheres do escritório usando imagens sexuais grosseiras e referências lascivas é errado. Mas, por querer “se encaixar”, ele entra na conversa e participa do que sabe que está errado. Ele ri das piadas inapropriadas e não tenta dirigir a conversa em uma direção mais apropriada. Ele faz isso porque tem medo de ser rejeitado e está mais preocupado com o que seus colegas de trabalho pensam dele do que com o que Deus pensa dele. Ele teme o homem mais do que a Deus. O fato de Deus estar descontente com suas ações é menos importante do que qualquer colega.
- Uma jovem mulher sabe que sexo antes do casamento é errado e desagradável a Deus. No entanto, ela já namorou vários homens e dormiu com a maioria deles. Ela faz isso, em parte, porque teme ser rejeitada. Talvez, se ela não ceder aos desejos dos rapazes que namora, eles a rejeitem e ela fique sozinha. Ela acha que uma mulher “tem que fazer isso” para ser popular e desejável. Ela teme o homem mais do que a Deus. O que os outros pensam é mais importante para ela do que o que Deus pensa. Ela pode muito bem minimizar a importância de seu pecado dizendo a si mesma: “Bem, Deus entende”. Mas, ao mesmo tempo, maximiza a importância de acabar desagradando a homens fracos e falíveis, pensando que desagradá-los seria uma catástrofe. Ela respeita — isto é, teme — o homem mais do que a Deus.
- Um padre de uma paróquia tem um mandato de Deus e da Igreja para pregar em seu nome, mas ele reluta em pregar as coisas “difíceis”. Afinal, falar de coisas como aborto, fornicação, divórcio, contracepção, homossexualidade e eutanásia deixa algumas pessoas chateadas. Ele teme isso, tem medo de ofender as pessoas, tem medo de ser mal interpretado. Uma vez, quando falou sobre o aborto (porque o bispo mandara), alguns paroquianos vieram até ele e disseram que ele não deveria trazer política para o púlpito. Certa feita, quando pregou sobre o problema do divórcio (o tema do Evangelho daquele dia), uma mulher (divorciada) se aproximou dele após a Missa dizendo que se sentia magoada e “excluída”. Experiências como essas levaram o padre a “jogar com segurança”. Ele sempre começa a homilia com uma piada e as pessoas parecem amá-lo por isso. Ele escolhe pregar apenas sobre abstrações e generalidades. Ele exorta as pessoas a serem um pouco mais gentis, um pouco mais generosas, mas evita ser específico. Ele faz isso porque teme mais o homem do que a Deus. Que Deus possa ficar triste por seu povo não estar ouvindo a verdade sobre questões morais importantes ou recebendo instrução adequada é um medo vago e distante para esse sacerdote; mas uma pessoa levantando a sobrancelha ao que ele diz é o suficiente para lhe amargar a semana inteira. Por isso, ele fica em silêncio como profeta, e passa a agradar as pessoas. Ele respeita — teme — o homem mais do que a Deus.
- Uma mãe sabe que deve criar seus filhos no temor do Senhor e educá-los de maneira piedosa, mas, oh! os protestos quando ela os manda fazer as tarefas, ou ir para a cama, ou fazer o dever de casa! É ruim suportar a raiva e a decepção deles. Ela também se lembra de como seus pais foram severos e de como ela jurou que seria mais amigável com os próprios filhos. Então, aos poucos, ela vai deixando sua autoridade diminuir, e os filhos, na maioria das vezes, conseguem o que querem. O marido não tem pulso firme e quer ser visto como um “cara legal” pelos filhos e amigos. A insistência de Deus na oração, disciplina e respeito pelos mais velhos dá lugar ao que os filhos desejam. O mais velho, adolescente, não quer mais ir à Missa. Mas, afinal, “você não pode impor a religião às crianças”, pensam. Aqui também os pais temem mais os filhos do que a Deus. Têm mais respeito pelos filhos do que por Deus.
Eis alguns exemplos do pecado do respeito humano.
Isso está profundamente presente em nossa natureza ferida e leva a muitos outros pecados.
Muitas pessoas estão desesperadas por atenção, respeito, aceitação e aprovação de outros.
Muitas delas, porém (até mesmo religiosos praticantes), relutam em se preocupar com o que Deus pensa deles ou se Ele aprova seu comportamento.
O pecado do respeito humano é aquele em que tememos o homem mais do que a Deus.
Deus tem uma solução direta para isso: devemos temê-lo, e a ninguém mais.
Na última parte desse tema sobre o pecado do respeito humano, o Padre Paulo Ricardo nos lança alguns desafios e nos ensina a enfrentarmos, como bons cristãos, os desvãos e os atalhos tortuosos que a vida quer nos impor nas nossas relações com outras criaturas de Deus.
Compartilhe isso:
- Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
- Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
- Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
- Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
- Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
- Clique para imprimir(abre em nova janela) Imprimir




