O grito dos aflitos!

Por Dauro Braga*

Gritos de socorro se fazem ouvir vindos de vários cantos da nossa querida terra de Ajuricaba que chegam a incomodar até mesmo os portadores de deficiência auditiva, mas ao que parece, apesar da sua alta intensidade sonora eles não são ouvidos pelas nossas autoridades constituídas, ou se são, elas fazem ouvido de mercador. Esse pedido de socorro vem do nosso Distrito Industrial, são as vozes de nossos operários e empresários revoltados com o descaso a que ele foi relegado pelo poder público. O único modelo de desenvolvimento sustentável de que depende a vida do nosso estado e de seu próprio povo, deveria merecer o mesmo cuidado e carinho que dispensamos normalmente a um filho único. Suas ruas por onde transitam os produtos fabricados no seu parque industrial, fazem parte do sistema capilar de toda cadeia produtiva que alimenta a célula viva e saudável da economia do nosso estado. Essas ruas que mais parecem o leito agonizante da BR-319, única ligação rodoviária do Amazonas ao resto do Brasil e que se encontra intrafegável devido a ação maléfica, impatriota e irresponsável dos falsos ambientalistas, merecem um tratamento mais aprimorado na sua conservação, pela importância que representam no escoamento da produção, e consequentemente, na geração de mais recursos financeiros para manter a máquina pública em funcionamento. Uma Vergonha!

Enquanto nossas autoridades discutem de quem é a culpa do descaso, o outrora pujante e bem cuidado parque fabril dos áureos tempos de Igrejas Lopes, Ruy Lins, Ozias Monteiro, Delile Guerra de Macedo, Roberto Cohen e tantos outros mais, assiste impassível o trem da história passar levando em seus vagões quase vazios os poucos investidores que ainda pensam em investir nessa região, mesmo a despeito de todos esses percalços. Convenhamos que, essa situação de abandono associada a fragilidade de uma legislação que mantém seus incentivos fiscais constantemente sob ameaça do fogo cruzado de outros estados da federação e do próprio poder central, inibe qualquer motivação de quem tem interesse em investir aqui.

Todos somos um pouco responsáveis pelo caos estabelecido, pois com o advento da Zona Franca de Manaus, nos deitamos em berço esplêndido, crentes de que o nosso fausto reinado nunca teria fim. Assim foi, que deixamos de lutar pelo direito de explorar racionalmente as nossas potencialidades minerais e ir buscar na nossa fauna e flora as riquezas da biogenética, para pesquisá-las, processá-las e transformá-las em fármacos e outros tantos produtos de largo consumo humano. Ao invés disso, o que fizemos? Sem esboçarmos qualquer resistência, deixamos que fechassem criminosamente o nosso CBA, um centro de pesquisas biológicas que poderia muito bem desempenhar esse papel, pois já se encontrava em pleno funcionamento, sendo tocado por pessoas sérias e com um corpo de pesquisadores composto por grandes profissionais que em sua maioria já eram aposentados, mas que ainda tinham muito a contribuir com a pesquisa e a ciência. Como tudo que é sério nesse país tem vida curta porque incomoda a ociosidade reinante, com esse também não poderia ser diferente. Interesses econômicos ameaçados pelo iminente sucesso desse Centro de Pesquisas e a força telúrica da vaidade, da ciumeira e da inveja, tragaram em suas águas revoltas o nosso CBA, que hoje inoperante, é chamado de elefante branco, como assim queriam seus algozes.  Com o CBA também foram sepultados todos nossos sonhos de um dia fazer parte do seleto clube da pesquisa e da ciência, bem como, o de podermos explorar e processar aqui mesmo os produtos provenientes da nossa biodiversidade. Deixamos o precioso tempo passar embalados pela ilusão de que o modelo Zona Franca não era finito e que ele por se só nos bastava. Ledo engano! Com o passar do tempo foram nos retirando Direitos assegurados pelo Decreto Lei 288, acabando por fazerem da legislação que regula a Zona Franca de Manaus uma verdadeira cocha de retalhos onde cada remendo corresponde a um direito suprido por medidas provisórias, instruções normativas, portarias e outros bagulhos mais gerados no útero da burocracia de Brasília. Todo esse desserviço foi o responsável pela desfiguração de um modelo de desenvolvimento exitoso, que não polui e que preserva as nossas reservas florestais.

Algemados pelas Leis ambientalistas de exagerado teor protecionista, assistimos anestesiados e estarrecidos outros povos extraírem e roubarem nossas riquezas naturais e conduzi-las pelas mesmas estradas que somos impedidos de conservá-las para uso próprio face a exigência de estudos de impacto ambiental de uma obra construída há mais de 30 anos e cujo licenciamento nunca sai , porque o documento foi guardado numa mesa do Ministério do Meio Ambiente e o funcionário perdeu as chaves da gaveta.

 

*O autor é empresário (daurofbraga@hotmail.com)

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