No Dia Mundial das Doenças Raras, amazonenses relatam o drama de viver com estes males

Celebrado em 28 de fevereiro, ou 29 de fevereiro, nos anos bissextos, considerado o dia mais raro do calendário, o Dia Mundial das Doenças Raras 2026 reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre uma realidade que ainda permanece invisível para grande parte da sociedade. Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo convivam com algum tipo de doença rara, enfrentando desafios que vão muito além da saúde, como dificuldades no acesso ao diagnóstico, ao tratamento, ao trabalho e à inclusão social.

Criada em 2008 e coordenada internacionalmente pela EURORDIS (Organização Europeia de Doenças Raras), a data mobiliza pacientes, familiares, profissionais da saúde, pesquisadores, gestores públicos e a sociedade civil em mais de 100 países. Neste ano, a campanha global traz o tema “Mais do que você imagina”, um convite à reflexão sobre o impacto coletivo dessas doenças, que, apesar de individualmente raras, juntas afetam milhões de pessoas ao redor do mundo.

No Brasil, o cenário também exige atenção. Entre as mais de 6 mil doenças raras catalogadas, está a miastenia gravis, enfermidade autoimune caracterizada por falhas na comunicação entre nervos e músculos, provocando fraqueza muscular progressiva. Dados do Ministério da Saúde indicam que surgem entre 5 e 30 novos casos da doença a cada 1 milhão de habitantes no país.

Desafio diário

Por trás dos números, existem histórias reais que ajudam a traduzir essa realidade. A mestre em enfermagem e empresária amazonense Elisama Brito, 37, convive com a miastenia gravis há quase 16 anos. O diagnóstico surgiu em mês de Junho de 2010, um ano depois de concluir a graduação em enfermagem, quando atividades simples do cotidiano passaram a exigir esforço extremo.

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Segundo ela, os sintomas afetaram diretamente sua autonomia. “Em alguns períodos, tarefas básicas como caminhar, levantar os braços ou falar se tornavam grandes desafios. Houve momentos em que o corpo simplesmente não respondia, exigindo pausas constantes e acompanhamento médico”, relata.

Ao longo da jornada, ela passou por diversas internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e por procedimentos complexos. Atualmente, convive com a forma refratária da doença, quando os tratamentos convencionais apresentam resposta limitada, além de deficiência física causada por tetraparesia, caracterizada pela fraqueza muscular nos quatro membros. Ainda assim, o acompanhamento médico contínuo e o uso de terapias especializadas são fundamentais para manter o controle do quadro e preservar a qualidade de vida.

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Transformando realidades

Mais do que uma data simbólica, o Dia Mundial das Doenças Raras se consolida como um movimento global por equidade, empatia e políticas públicas eficazes. A campanha reforça que o impacto das doenças raras não se restringe ao campo clínico, alcançando também a educação, o mercado de trabalho, a saúde mental e a vida familiar.

Para Elisama, compartilhar sua história é uma forma de ampliar o olhar da sociedade. “Se a minha experiência conseguir sensibilizar algumas pessoas, já é um passo importante. Informação gera empatia, e empatia gera mudança. Cada pessoa conscientizada pode ajudar a transformar a forma como as doenças raras são vistas. Essa data nos dá a oportunidade de dizer à sociedade que nós, raros, existimos e importamos”, afirma.

Em 2026, o Dia Mundial das Doenças Raras reforça que, por trás de cada diagnóstico, existe uma vida que precisa ser compreendida, respeitada e incluída, mais do que se imagina

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