Menezes reaparece depois de três derrotas eleitorais consecutivas, “veste a carapuça” sobre declarações de Bosco, mas não cita apoio a Paulo Guedes

O ex-superintendente da Zona Franca de Manaus, Coronel Menezes (PP), que estava recolhido desde que perdeu a eleição para vice-prefeito de Manaus em outubro de 2024, veio à público ontem, em vídeo nas redes sociais, para rebater as declarações do atual dirigente da autarquia, Bosco Saraiva, que acusou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de tramar contra a Zona Franca de Manaus e fechar as portas para novos empreendimentos. Apesar do atual gestor não ter citado nomes, o anterior “vestiu a carapuça” e defendeu sua passagem pelo órgão.

Menezes disse que, durante o governo de Jair Bolsonaro, a Zona Franca de Manaus nunca teve benefícios retirados. “Pelo contrário, protegemos e garantimos suas vantagens comparativas. Na minha gestão nós modernizamos os processos internos, aumentamos os empregos, Batemos recordes de faturamento, ultrapassando a marca de R$ 100 bilhões de reais dos últimos seis seis anos, em 2020. E destravei várias plantas que, logo depois, se instalaram no PIM”, afirmou.

Bolsonaro, segundo Menezes, lhe deu a missão de proteger a Zona Franca de Manaus e o Amazonas, sem politicagem. “Trabalhamos sério, valorizamos a meritocracia, que, aliás, parece uma palavra desconhecida pela atual gestão”, concluiu.

O militar da reserva não citou dois episódios que geraram muitos questionamentos a ele: o apoio às declarações do ex-ministro da Fazenda, Paulo Guedes, que se colocou como inimigo declarado da ZFM, e a demissão da Suframa, ocasionada pelo isolamento da autarquia, que fechou as portas, durante sua gestão, tanto para entidades de classe quanto para a bancada federal, o que acabou causando sua queda.

Na época em que Guedes questionou o modelo instalado em Manaus, Menezes chegou a dizer que era preciso criar novas matrizes econômicas para substituir a Zona Franca, que ele considerou à época um modelo superado.

Tentativa de reaproximação

As declarações de Menezes ontem representaram uma clara tentativa de se reaproximar do ex-presidente. Ele era o principal interlocutor de Bolsonaro no Amazonas, mas afastou-se quando decidiu confrontar a direção local do PL e romper com o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL), saindo do partido para se alinhar ao grupo político do governador Wilson Lima (UB).

A gota d´água do rompimento com Bolsonaro ocorreu quando Menezes, em discurso durante convenção de partidos na Arena Amadeu Teixeira, durante a qual foi indicado vice do presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade (UB), afirmou que naquele momento o grupo ensinava o ex-presidente a reunir público. É que, dias antes, o ex-presidente havia participado de evento do PL no mesmo local, em que as arquibancadas ficaram vazias.

A chapa de Menezes foi a quarta colocada na eleição. Uma posição melhor que o quinto lugar alcançado por ele em 2020, quando disputou a Prefeitura como cabeça de chapa. Em 2022 ele foi derrotado pelo senador Omar Aziz (PSD) na disputa por uma vaga no Senado.

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