Mãos, mentes e corações que cuidam

Se pudesse voltar no tempo e estivesse diante de nova decisão para escolher que profissão seguir, não pensaria duas vezes e cravaria ser Enfermeiro.

Como Farmacêutico Bioquímico já aposentado, sinto-me plenamente satisfeito e com a consciência do dever cumprido depois de mais de quatro décadas dedicadas aos misteres da prática laboratorial, da farmácia e da gestão pública na área da saúde.
Mas nem por isso, deixaria de sonhar com outros desafios profissionais desde que continuando a atuar na área da saúde, onde o cuidado com outro e com a vida, extrapolam e muito as corriqueiras e simples obrigações de apenas fazer algo que, na maioria das vezes, outras profissões encaram.
Anos atrás, neste mesmo espaço, defendi com muita veemência os profissionais da enfermagem em todos os seus aspectos técnicos e profissionais, ante ataques injustificados e comparações exdrúxulas.
Retorno agora para, muito além de falar do merecimento de toda uma categoria, exaltar todos quantos abraçaram o exercício profissional da enfermagem, momento em que o parlamento federal aprova uma lei que garante o pagamento do piso salarial da profissão.
Não que outras categorias não mereçam; não que a enfermagem mereça mais que outras profissões.
Mas, é porque a enfermagem é diferente. A enfermagem é o segmento profissional da saúde que cuida do outro se fazendo presente de modo presencial, permanente e dedicado ao lado do leito dos que lutam contra a morte e pela vida.
Enquanto alguns visitam e prescrevem, enquanto outros direcionam e orientam, a enfermagem cuida e acalenta, a enfermagem acompanha e consola.
A enfermagem vai muito além do cuidado com a saúde pois sua atuação transcende e muito esse aspecto posto que os vínculos da enfermagem com o doentes e destes com a enfermagem é quase indelével, é algo sobrenatural.
A enfermagem ajuda a lutar pela vida pois quem se encontra doente muitas vezes necessita mais que tratamento medicamentoso; precisa de um ombro e de uma palavra amiga e encorajadora e muitas vezes conselheira.
Daí, não ser crível e nem aceitável, que uma categoria da importância da enfermagem, tenha passado décadas lutando para que o exercício profissional fosse reconhecido e valorizado somente agora, por meio do estabelecimento do valor do piso salarial nacional.
E esse reconhecimento chegou no momento mais significativo quando o mundo todo enfrentou e ainda enfrenta uma pandemia devastadora.
Foi, em meio à dor e a morte, foi, diante do sofrimento e das incertezas para a vida, que uma categoria soube vencer as dificuldades, superar-se diante das vicissitudes e deficiências e cuidar dos doentes e cuidar da saúde e cuidar da vida.
Não fosse a enfermagem e a quase doutrinação que recebem durante a formação, a tragédia pandêmica teria sido pior diante de um cenário pavoroso em que muitos profissionais sucumbiram ante o CoVid mas, os que sobreviveram, não desistiram de lutar e de cuidar e de enfrentar o inimigo mortal, com estoicismo, com determinação e com amor.
Parabéns a todos os profissionais e técnicos da enfermagem pela merecida vitória.
Na história da humanidade, muitos santos e santas da igreja católica alcançaram a santidade por terem atuado na atenção à vida e a favor do outro, pois abraçaram a enfermagem como sinônimo de proteção e querer bem a quem necessita de cuidado na saúde física, mental e espiritual.
Que Deus continue a abençoá-los e protegê-los diante das incertezas, da falta de respeito e da ausência de reconhecimento pelo que representam para os enfermos, para a saúde pública e privada do nosso país.
Té logo!

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