Mais ônibus, é verdade?

Por José Ricardo*

A situação do transporte coletivo de Manaus continua com os mesmos problemas. E agora, o prefeito Arthur Neto, em ano eleitoral, promete 300 ônibus novos em poucos meses.

O transporte coletivo é um direito social do cidadão previsto na Constituição Federal que define ser de responsabilidade do município e é considerado um serviço essencial. Isso significa que a Prefeitura deve priorizar e garantir a qualidade desse serviço.

É notória a decadência do sistema do transporte. O Alfredo Nascimento iniciou o Corredor Expresso, mas não concluiu. O Carijó, “na marra”, inaugurou, mas logo se descobriu que as pistas estavam afundando. Obra mal feita. O Serafim lutou para recuperar tudo. O Amazonino nada fez, nem o BRT implantou. O Arthur pintou as pistas e gastou R$ 100 mil em cada plataforma por um simples reparo.

Se for analisar somente os quase oito anos do atual prefeito, temos muitas promessas e poucos resultados. Por esta razão a frota operante não cresce e está envelhecida.

Está na hora de ter um Comitê Gestor da Bilhetagem Eletrônica e trazer a gestão dos sistema para a Prefeitura. Assim como precisa ter a transparência da planilha de custos da tarifa de ônibus.

Afinal de contas, quais são os custos do sistema de transporte? a folha de pagamento dos motoristas? gastos com combustível, manutenção, pneus e encargos?

O prefeito diz que não vai autorizar reajuste da tarifa de ônibus, mas o último aumento foi determinado pela Justiça, a pedido dos empresários.

Em julho de 2019 a Prefeitura decretou uma intervenção financeira no sistema de transporte até janeiro de 2020. Pelo que foi noticiado, o Poder Municipal aportou R$ 61 milhões do tesouro público para promover o equilíbrio nas contas do sistema. Ou seja, ajudou os empresários. Mas nenhum ônibus novo foi comprado.

Por isso, não dá para acreditar que em menos de seis meses cerca de 300 ônibus novos chegarão a Manaus. É provável que os empresários dirão que precisarão aumentar a tarifa para poder adquirir novos ônibus.

É o milagre dos 300 ônibus novos em ano eleitoral.
Também é preciso avaliar melhor a proposta de implantar o uso do cartão eletrônico como única forma de pagamento da passagem de ônibus. Vai dificultar a vida de milhares de pessoas que vivem de atividades informais e pagam a passagem diária com dinheiro. Aliás, o usuário tem direito de usar a moeda corrente para pagamento de serviços.

Mas para melhorar o sistema precisaria também de investimentos no BRT, nos corredores exclusivos, planejamento urbano, plano de mobilidade e do sistema viário da cidade. Pelo visto nada será feito este ano. Missão para a nova gestão a ser eleita este ano.

*O autor é economista e deputado federal pelo PT

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