Lei de Gérson 

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Diariamente somos submetidos ou vivenciamos tragédias pessoais ou coletivas às vezes muito próximas de nós, provocadas pela pandemia.
Ainda assim, há gente capaz de tirar proveito e agir com extremo egoísmo como se o mundo girasse apenas em torno de si posto que estão acostumadas a fazer valer o velho adágio: Farinha pouca meu pirão primeiro.
Ao contrário do saudoso Chacrinha que dizia “Eu estou aqui para confundir e não para explicar”, preciso esclarecer que o título desse artigo está relacionado a pessoas que de forma indiscriminada levam vantagem em tudo sem se importar com questões éticas ou morais.
Essa expressão nasceu no início dos anos de 1980 e leva o nome do jogador Gérson, famoso meia esquerda da seleção brasileira do tri campeonato.
Ela nasceu de uma propaganda de cigarros na TV onde ao jogador, em meio a uma entrevista, lhe é oferecido uma marca estando ele de posse de outra, aí ele tasca a seguinte frase:
“Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”.
Definitivamente a expressão pegou e, embora tivesse sido dita no contexto de uma propaganda comercial, mais tarde, foi transformada pelo jornalista Maurício Dias em um mote de domínio social ao relacioná-la ao desejo de parte dos brasileiros de levar vantagem em tudo.
Erroneamente a frase ficou impregnada na pessoa do jogador que demonstrou arrependimento por ter associado sua imagem ao anúncio.
Nada mais atual que a frase dita pelo Gérson, é o que desafortunadamente estamos assistindo nesse início do plano de vacinação contra a CoVid em Manaus e em algumas outras cidades brasileiras.
Alguns espertalhões e espertalhonas ancorados em sobrenomes, amizades, posições políticas e sociais ou por puro desvio de caráter, valeram-se disso e, na mais abjeta de falta de sensibilidade, foram vacinadas furando a fila na frente dos grupos prioritários aí incluídos os velinhos.
São políticos, empresários, médicos, ocupantes de cargos de confiança e dondocas, todos influentes protagonistas de um espetáculo digno de contundentes reprimendas e formas de expiação pública, merecedores que são ainda, da mais severa execração.
Pior ainda, esses energúmenos de forma mais sórdida e expondo a doentia capacidade de escarnecer da sociedade, ainda publicaram as imagens nas redes sociais. Ainda bem! pois só assim tivemos conhecimento dessas atitudes deploráveis.
Tudo isso só foi permitido porque a gestão municipal da saúde de modo amador, egotista e atabalhoado, assumiu um protagonismo que não era apenas seu, porquanto, poderia tê-lo dividido com a gestão estadual ao buscar as parceiras e os meios mais apropriados para por em prática o plano de vacinação mais aguardado por um pivô massacrado por uma pandemia que mata e causa dor e sofrimento.
Foi tanta a comoção com esses episódios, que justiça, organismos de controle, sociedade organizada e meios de comunicação social, entraram em campo ora, denunciando ora, impondo limites e sanções a essa forma de corrupção das mais deploráveis.
A campanha de vacinação atrasou, nossos velhinhos tiveram que aguardar um tempo precioso para serem vacinados, a sociedade ficou perplexa, tudo por conta de um grupo de privilegiados, insensíveis e irresponsáveis homens e mulheres, perfeitos intérpretes e beneficiários mais cruéis da Lei de Gérson dos tempos atuais.
Não basta só expor essa gente aliás, já o fizeram por si mesmas. É mais que necessária a resposta contundente da justiça com as sanções proporcionais aos males que causaram.
O que não dá, é que justiça e órgãos de controle, apenas contemplem essa aberração e esse desvio moral, ético e social.
O que não pode, é que se mantenham impunes, soberbos e livres para continuaram a delinquir em desfavor da lei e da sociedade feita por homens e mulheres de bem e cumpridores dos seus deveres e obrigações.
Da ponta dos meus dedos que digitam semanalmente esses artigos, essa gente não terá sossego enquanto não forem devidamente punidos pelo rigor da lei, pois estarei de olhos e ouvidos atentos e pronto para espezinhar a folgada vida dessa turma que pra mim não têm nada de esperta pois não passam de réles otárias.
Té logo!

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