Em 2026, o mercado de trabalho brasileiro continua em transformação, segundo pesquisas, impulsionado pela inteligência artificial e pelas novas tecnologias. Especialistas apontam que essas mudanças tendem a exigir dos jovens maior capacidade de adaptação, domínio digital e preparo para atuar em áreas que estão surgindo ou se reinventando. Além disso, muitas profissões já existentes tendem a passar por atualizações, combinando habilidades tecnológicas e humanas.
De acordo com levantamento anual do LinkedIn, divulgado em janeiro, as profissões ligadas ao uso de tecnologia devem crescer no Brasil em 2026. Além da tecnologia, áreas como saúde, finanças, logística e gestão também devem ganhar destaque, impulsionadas pelo uso de novas ferramentas. Em comum, todas exigem qualificação técnica, capacidade analítica e adaptação constante.
Para a doutora em Economia e professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Denise Kassama Franco do Amaral, fundadora e coordenadora do grupo Economistas Solidários, a inteligência artificial e as novas tecnologias trazem a expectativa de abertura de novas oportunidades no mercado de trabalho. “Nunca podemos esquecer que a inteligência artificial, para funcionar, precisa do humano para alimentá-la. Ela foi criada com base em bancos de dados construídos por pessoas e, por isso, exige profissionais preparados e atentos a essas transformações”.
A especialista detalha ainda que os jovens precisam estar cada vez mais atentos às novas tecnologias e ao mundo ao seu redor. Ela recomenda que dediquem alguns minutos por dia para acompanhar o noticiário e compreender o que acontece, evitando informações falsas e desenvolvendo domínio sobre as ferramentas digitais disponíveis.
“Não apenas a inteligência artificial, mas tudo o que há de mais moderno que essas tecnologias possam oferecer. Também entendo que o jovem atual, dependendo do segmento, precisa estar atento às redes sociais. É importante aprender a separar o joio do trigo, pois hoje as redes sociais são ferramentas de trabalho para marketing, empreendedorismo e muitas outras áreas. Ele deve estar antenado e saber usar essas ferramentas a seu favor”, conta.
Feira do Estudante
Nesse cenário, a Feira Norte do Estudante 2026 (FNE), que será lançada no dia 25 de março na Livraria Valer, no Centro de Manaus, das 9h30 às 11h30, oferece aos estudantes a oportunidade de ter contato direto com universidades, especialistas, empresas e novas áreas do conhecimento. Kassama pontua que iniciativas como essa são fundamentais para orientar os jovens em suas escolhas, ampliando a visão sobre o mercado de trabalho e ajudando na definição de cursos superiores e carreiras.
“Considerando o cenário atual, é fundamental promover eventos que ofereçam direcionamento aos estudantes, já que muitas vezes o ensino médio ou mesmo a internet não conseguem reunir todo o conteúdo necessário. Nessas feiras, os jovens têm a oportunidade de conhecer diferentes áreas e profissões, o que contribui diretamente para a decisão sobre um curso superior ou uma carreira”, explica.
Com ampla experiência em testes vocacionais, a psicóloga Ana Cordovil, do Amazonas, afirma que esse tipo de experiência amplia a visão sobre o mercado de trabalho. “Permite conhecer profissões emergentes, tendências tecnológicas e diferentes possibilidades de formação, além de estimular o uso estratégico das redes sociais e das ferramentas digitais como parte da preparação para o futuro profissional”.
Oportunidades
A psicóloga destaca que as pesquisas indicam que a inteligência artificial e as novas tecnologias estão mudando não apenas quais profissões existem, mas principalmente como elas são exercidas. Hoje, muitas tarefas repetitivas e operacionais estão sendo automatizadas. Com isso, cresce a demanda por profissionais com habilidades mais complexas, como pensamento crítico, criatividade, capacidade de resolver problemas, comunicação e adaptação constante.
“Para os jovens, isso gera dois efeitos. Por um lado, amplia muito o leque de possibilidades profissionais, com novas áreas surgindo, principalmente ligadas à tecnologia, dados e inovação. Por outro, também traz certa insegurança, porque o mercado se transforma rapidamente e algumas profissões podem se modificar ou até desaparecer ao longo do tempo”, disse.
Cordovil detalha que o profissional do futuro será aquele que combina domínio tecnológico e habilidades humanas. Ou seja, alguém capaz de usar tecnologia para resolver problemas, aprender continuamente e trabalhar bem com pessoas. “Em um cenário de rápidas transformações tecnológicas e sociais, muitos dos profissionais do futuro atuarão em áreas que ainda estão em desenvolvimento ou que sequer existiam há alguns anos”, finaliza.
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