Jornalismo do Amazonas passa por sua maior crise e grandes veículos já não são grandes empregadores

A demissão do jornalista Dudu Monteiro de Paula, na última sexta-feira, é o símbolo do que está acontecendo com toda uma geração de jornalistas do Amazonas, com mais de 50 anos de idade, que estão deixando as redações de jornais, rádios e televisões, trocados por novas gerações, abaixo dos 30 anos, que estão ocupando todos os postos importantes nos veículos de comunicação.

No caso da Rede Amazônica, o perfil pragmático dos herdeiros de Phelippe Daou está provocando a saída de praticamente todos os jornalistas que comandaram as redações do grupo por mais de 20 anos. Além de Dudu, Ercilene Oliveira, ex-editora chefe, e Patrick Mota, que dirigia o jornalismo da rádio Amazonas, também saíram. Vários outros que não tinham cargo de chefia, mas estavam na empresa há vários anos, também estão sendo dispensados.

O jornal Amazonas em Tempo também dispensou vários profissionais, alguns de chefia, como o casal Elvis Chaves e Jeanne Glay, e são constantes os rumores de que pode fechar as portas. O Diário do Amazonas reduziu consideravelmente o quadro e o jornal A Crítica passa por sua maior crise, com ameaça de não pagar o décimo-terceiro.

A Rede Calderaro, aliás, dispensou todo o time de locutores da rádio A Crítica e passou a transmitir a programação da FM O Dia, do Rio de Janeiro.

Os grandes veículos de comunicação perderam influência e mercado, com o advento das redes sociais e dos blogs e portais. E os jornalistas estão precisando rever seus objetivos e carreiras. Trata-se de um fenômeno mundial.

Para se ter uma ideia da mudança do perfil, nesta semana o Sindicato dos Jornalistas elege sua nova diretoria. A previsão é de que menos de 10% dos sindicalizados votem na chapa única. A maioria absoluta abandonou a entidade, por entender que seu papel apequenou-se. E nada indica que isso vá mudar.

O processo de desconstrução do papel do jornalista, como se concebia até alguns anos atrás, começou com o fim da obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício da profissão e aos poucos vai se aprofundando.

Só os mais versáteis sobreviverão.

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