Intolerância religiosa entre evangélicos e outras religiões

Por Ismar Sahdo*

A causa da intolerância religiosa entre evangélicos – sobretudo pentecostais/neopentecostais – e adeptos de outras religiões como as de matriz africana, espíritas kardecistas e católicos, não está nas suas diferenças doutrinárias ou de práticas religiosas, como parece ser num primeiro momento. Mas numa noção exclusivista e equivocada do amor de Deus por parte daqueles, para os quais é difícil acreditar que o amor salvífico de Deus alcança a todas as pessoas independentemente do seu credo religioso.

No entanto, diferenças e equívocos religiosos existem. E nesse campo da espiritualidade todos nós nos equivocamos em muitas coisas. Todavia, se por um lado, nossos equívocos não nos excluem do amor de Deus; por outro, devemos buscar sempre corrigir nossos caminhos. Nos corrigir e instruir outros a respeito dos caminhos de Deus não é praticar intolerância religiosa.

O diálogo de Jesus com a Samaritana nos ajuda nesse entendimento. A propósito da prática religiosa daquela mulher e de seu povo, Jesus disse a ela: “vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem”. Ao dizer estas palavras, Jesus teria sido inconveniente e intolerante para com a religião daquela mulher e de seu povo? Jesus foi intolerante ao dizer a verdade e procurar corrigir os equívocos religiosos da samaritana? Deveria ele ser politicamente correto e não fazer o bem de lhe falar a verdade? Claro que não! Mal Jesus teria feito à mulher se a tivesse deixado para sempre na ignorância.

É importante, no entanto, observar que, naquele encontro, Jesus só disse o que disse à mulher após uma troca, um diálogo, ajuda mútua, um pedido de água, o que indica que as palavras de Jesus dirigidas àquela mulher foram verdades ditas em amor.

Tolerância religiosa e diálogo interreligioso não significam orgia religiosa, não é swing religioso. Não significa aderir, aprovar, concordar, adotar, crer e professar todas as religiões, seus inúmeros (e discordantes) ensinos e práticas, sob a máxima de que “todos os caminhos levam a Deus”. Não! Esse é um discurso que cabe bem na boca dos politicamente corretos. Mas Jesus não era politicamente correto. Jesus é a Verdade. E a verdade é que há, sim, muita ignorância religiosa e, portanto, ensinos e práticas religiosas equivocadas que precisam ser corrigidos, principalmente aqueles que atentam contra a vida, a liberdade e a saúde das pessoas.

Mas e daí? Qual o problema em corrigir esses equívocos? Essa não é a causa da intolerância religiosa entre esses grupos! Esse não é o problema!

O problema está no fato de que os cristãos de um modo geral e, em particular, os pentecostais e neopentecostais, têm grande dificuldade de compreender e de aceitar que os homens são salvos pelo amor gratuito e unilateral de Deus, e não pelo esforço próprio do assentimento intelectual a uma doutrina. “Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o MUNDO, não levando em conta os pecados dos homens”, escreveu Paulo, o apóstolo. “Jesus é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados do MUNDO inteiro”, escreveu o apóstolo João.

Um cristão evangélico (a maioria) não consegue conceber a ideia de que, por exemplo, um umbandista ou um espírita possa ser salvo enquanto permanecer na condição de espírita ou umbandista. No máximo, acreditam que eles podem receber a salvação se, na hora da morte, nos instantes finais da vida, arrependerem-se do pecado de terem sido espíritas ou umbandistas. Do contrário, se morrerem nessa condição, não poderão ser salvos.

Assim sendo, essa é uma questão que dificilmente será resolvida enquanto os cristãos não entenderem que as pessoas são aceitas por Deus porque Ele as ama de forma incondicional, gratuita e unilateral, e apesar de sua ignorância religiosa. No dia que todos entenderem assim, não haverá mais intolerância religiosa, pois nenhum homem dependerá mais de assentir com uma doutrina ou rito religioso para ser salvo, mas apenas de saber-se amado por Deus, não obstante os seus equívocos. Nesse dia o que sobrará será apenas as falsas noções, as idéias equivocadas para serem corrigidas uns dos outros, porém ninguém mais será julgado e condenado ao inferno por pensar diferente. Pessoas equivocadas quanto à religião, são pessoas perdidas apenas religiosa e historicamente, mas não eternamente. São pessoas equivocadas, porém amadas. O máximo que Jesus diz a elas é: “Pai, perdoa-as porque não sabem o que fazem”. Ou seja, conquanto não saibam o que fazem, têm a garantia do perdão de Deus.

“Deus é Amor”. (João, apóstolo).

*Ismar Sahdo é funcionário público

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Este post tem 3 comentários

  1. jorge leite texeira

    OS ESPIRITAS KARDECISTAS, NÃO SE DIZEM MELHORES, E TEM COMO META A SUA REFORMA MORAL , QUE PASSA PELA TOLERENCIA AOS OUTROS IRMÃOS, OS IRMÃOS DO CANDOMBLÉ E UMBANDA, SÃO MASSACRADOS, HUMILHADOS, OFENDIDOS, AGREDIDOS, SIM PELAS IGREJAS EVANGELICAS, , AGORA O QUE ENGRAÇADO E QUE AS DITAS IGREJAS INCORPORARAM AOS SEUS RITUAIS, AS PRATICAS DAS IGREJAS DE RAIZES AFRICANAS, TIPO, OLEO UNGIDO, BANHOS DE DESCARREGO, BENZER FOTOGRFAFIAS, ROUPAS, DA NO EM ROUPAS, ……FORA OS PEDIDOS DE DINHEIRO…QUE É UJM ABSURDO…..
    DO MOVIMENTO ESPIRITA KARDECISTA, TOMARAM A AGUA FLUIDIFICADA, E O PASSE MAGNETICO,

  2. DANIEL Melo

    A BÍBLIA não nos engana. SALVAÇÃO só atraves de JESUS. Se todas práticas religiosas levam a DEUS porque JESUS morreu na Cruz?? A PALAVRA DIvina CO fé na todas as práticas de feitiçarias…Daniel MELO

    1. Izaque Duarte

      É por causa desse pensamento semelhante ao seu Daniel Melo de falta de conhecimento da Palavra de Deus que existe a Intolerância Religiosa

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