Imunização: algo a lamentar

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Em termos de imunização o Brasil é o primeiro país do mundo em estratégias para aplicação de vacinas em grande escala e detentor de recordes sobre recordes quando o assunto é realizar campanhas nacionais de cobertura populacional contra doenças imunopreveníveis. Ofertamos cobertura vacinal para a mais ampla gama de enfermidades do planeta.
Um outro dado alvissareiro é que nosso país possui os maiores e melhores centros de produção de imunobiológicos do mundo capazes de em pouco espaço de tempo fabricar milhões e milhões de doses de vacinas contra as mais variadas moléstias. Não à toa exportamos não somente vacinas prontas como também tecnologia e expertise quando o assunto é imunização.

O atual e preocupante surto de doenças respiratórias que atingiram nosso estado especialmente o avanço impiedoso da gripe H1N1 (ou gripe suína) um subtipo da gripe Influenza A, rapidamente exigiram das autoridades sanitárias e dos governos estadual e municipal a adoção de estratégias urgentes para que se iniciasse em tempo recorde ,com a ajuda do governo federal, um plano ousado de imunização que, como preconizam os protocolos técnicos, inicialmente alcançaria os grupos populacionais mais vulneráveis como por exemplo crianças, idosos, grávidas, portadores de doenças crônicas e degenerativas, professores e profissionais da saúde.

E é sobre esse último grupo vulnerável, onde me incluo, que quero tecer algumas considerações as quais julgo importantes apesar de negativas: os trabalhadores da saúde são de fato, pelo convívio diário com pacientes e usuários do sistema de saúde um dos grupos mais expostos ao contágio; não imunizar esse grupo seria correr o risco de reduzir o atendimento à população por conta das baixas ou do absenteísmo ao trabalho em função das consequências à saúde que a gripe produz, trazendo enormes prejuízos à oferta de serviços à população.

Ocorre, porém, que lamentavelmente mesmo à despeito da oferta de vacinas e da obrigatoriedade da imunização, os trabalhadores da saúde estão negligenciando os cuidados com sua saúde. Digo isso em função da baixa adesão de servidores da saúde à atual campanha de imunização contra a gripe H1N1 mormente na Fundação de saúde pública onde trabalho posto que apesar dos chamamentos e exortações internas não chegaram a sessenta por cento o total de servidores que atenderam aos apelos para a vacinação nas duas primeiras semanas da oferta.

E olha, que entre esses servidores reticentes e resistentes há profissionais de nível superior e médio entre os quais médicos, enfermeiros, psicólogos, técnicos da área da saúde entre outros.

Mais lamentável ainda é a constatação de que, entre muitos servidores da Fundação Alfredo da Matta infectados durante o atual surto, a maioria também não havia se imunizado durante a campanha do ano passado. Portando estavam mais vulneráveis ainda ao contágio.

Vão gostar de sofrer assim lá na bica como diria minha velha mãe!

Penso que esse quadro há de se reproduzir também e aos montes em outras instituições de saúde do nosso estado o que denotaria o alto grau de irresponsabilidade dos servidores com a própria saúde de destes para com os usuários. Como cobrar saúde dos outros se eu não cuida da minha?

Mais responsabilidade colegas para com a sua e a saúde dos outros ok?

Té logo!

*O autor é farmacêutico bioquímico e diretor-presidente da Fundação Hospital Alfredo da Matta

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