Das muitas narrativas bíblicas que apresentam Jesus curando algumas pessoas, há uma que merece muita reflexão.
Trata-se da rara passagem em que Jesus cura duas pessoas quase que no mesmo momento.
Acontece, que essas duas curas ensejam análises diferentes ainda que os resultados sejam iguais porém, com desfechos absolutamente diferentes.
Conta o Livro de Marcos, que Jesus saía da barca e estando na margem em meio a uma grande multidão que o comprimia, um príncipe da lei judaica o abordou implorando que curasse sua filha gravemente enferma.
Tratando-se de um pedido de um príncipe da sinagoga já soava estranho porém, Jesus não fazia acepção de pessoas.
Assim implorou-lhe um pai aflito:”Mestre, rogo-te que me sigas até minha casa e imponhas as mãos sobre minha filha para que ele cure e viva.”
Ora, ali estava caracterizada uma fé vazia em Jesus porque não bastava que Ele ordenasse a cura mas que fosse até onde estava a menina e, mais que isso, a tocasse.
Ocorre, que nessa mesma passagem bíblica, Jesus ao caminhar em direção à casa do príncipe judeu, uma mulher, que sofria há anos de uma forte hemorragia e já havia gastado todos os recursos que tinha e não teve sucesso no tratamento, pensou consigo:”Se eu ao menos tocar na borda da sua túnica sei que serei curada.”
E assim se sucedeu que ela ficou imediatamente curada.
Conta a passagem que Jesus sentiu que alguém lhe havia tocado as vestes e que algo forte tinha saído de si.
A mulher, extasiada pela cura imediata, prostrou-se diante de Jesus e disse-lhe o que tinha acontecido com ela.
Então Jesus diz:”Vai minha filha, tua fé te salvou siga em paz.”
Quanta diferença entre a fé do pai aflito e da pobre e sofrida mulher!
Um, quer ver não apenas a cura mas que ela seja feita de um modo presente, por meio de gestos e de algo real e palpável. Ainda que haja fé, esse é o tipo de fé meia boca.
Ali houve apenas a cura e nada mais pois para aquele pai a vida carnal da filha era o bastante.
A Bíblia não fala mais nada sobre o que aconteceu depois com aquela criança ou com aquela família.
No caso da mulher que sangrava, além do desejo de ver-se livre da enfermidade que a afligia há anos, havia uma nítida crença de que não precisava falar com Jesus. Não havia necessidade de abordá-lo e implorar-lhe por um milagre.
Aquela mulher apenas creu que Jesus tinha poder de curá-la e de devolver-lhe a esperança de uma vida normal. Para ela, bastava tocar na sua roupa.
Pois foi o que aconteceu. Ela acreditou, tocou e ficou imediatamente curada.
Entretanto, o maior milagre para essa mulher não foi a cura da sua enfermidade.
O mais eloquente milagre aconteceu quando Jesus lhe disse:”A tua fé te salvou!”
Dali em diante não foi apenas uma cura do corpo. A parir dali, nas palavras de Jesus, aquela mulher estava verdadeiramente salva.
Muitos de nós pedimos de Jesus milagres, curas, libertações, favores e até trocas.
Mas para acreditar, queremos que Jesus siga-nos e toque em nós como no caso do pai da menina doente.
Nossa fé é curta e vazia de propósitos pois não basta acreditar em Jesus, é preciso colocar o nome na missa. É necessário fazer promessa. É importante fazer a doação. Queremos que Jesus nos siga e opere os prodígios que pensamos serem as coisas mais importantes pra nossa alma.
Sejamos menos Jairos com sua fé movida a toques e sinais.
Sejamos mais como a mulher doente que não precisa ver, falar ou implorar a Jesus.
Acreditemos pois que basta tocar nas vestes ou basta crer que Jesus já sabe das nossas necessidades e vai operar o milagre.
Não o milagre que queremos ou buscamos, mas o milagre que merecemos e que nos salve a alma e não apenas o corpo.
Té logo!
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