Ex-vice de Arthur, Rotta diz que ele e David receberam mais de 100 obras inacabadas

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Primeiro vice-prefeito a ser reeleito em Manaus – e talvez no Brasil – por uma chapa diferente, Marcos Rotta (DEM) terminou a gestão anterior rompido com o então prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) e hoje fez o mais duro ataque ao ex-aliado, ao declarar, em entrevista a uma rádio local, que ele e o atual parceiro, David Almeida (Avante) receberam “uma centena de obras inacabadas, pela metade, que não iniciaram”, o que, segundo o político, “faz pensar no descaso e na irresponsabilidade daqueles que deixaram tudo aquilo à deriva, para que nós pudéssemos terminar”.

Assim como ocorreu no início da segunda gestão de Arthur, Rotta assumiu o comando da Secretaria Municipal de Infraestrutura. Na administração passada, ele passou menos de dois anos na função e chegou a se licenciar para assumir cargo semelhante no Governo do Estado, em 2018, sob a batuta de Amazonino Mendes (Podemos). em 2019, o vice-prefeito voltou à Prefeitura, mas não assumiu mais nenhuma função relevante e só desgastou ainda mais a relação com o titular, até que lançou a própria candidato a prefeito, que acabou sendo retirada depois de um acordo com David Almeida.

O principal problema encontrado por Rotta na pasta desta vez foi o viaduto Izabel Victoria Ribeiro, no Manôa. Os engenheiros recomendaram que ele fechasse os acessos para reparos, o que foi feito logo nos primeiros dias da nova administração. Na semana passada, o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura pediu a suspensão dos reparos e sugeriu uma nova perícia.

“Não precisa ser engenheiro, técnico, nem especialista na área para perceber que ali existe um desnível acentuado, inclusive o viaduto, em termos de chacota, foi apelidado de tobogã. Nós estamos fornecendo nesse momento a documentação que o Conselho está solicitando sobre questões de projetos, medições, ensaios, produtos que foram ali colocados, enfim, estamos levando ao Crea todas as informações para que possa nesse momento nos orientar a respeito por que caminho seguir”, explicou o vice-prefeito.

Marcos Rotta fez questão de reforçar que, assim como no viaduto, foram identificados problemas em obras como nas plataformas de ônibus, terminais, ciclovias, entre outras, algumas inclusive inauguradas e entregues sem estarem completamente concluídas, como é o caso do Terminal de Integração 3, na Cidade Nova, zona Norte. “Não bastasse a nossa adversidade do tempo, que estamos enfrentando com o período de chuvas e queda de arrecadação, David e eu assumimos a prefeitura com uma série de obras inacabadas. Nós não daremos desculpas, vamos arregaçar as mangas e trabalhar para solucionar isso”, afirmou Rotta. 

Drenagens

Questionado sobre a situação das drenagens em Manaus, o vice-prefeito explicou que a capital possui mais de 100 quilômetros de igarapés, grande parte canalizados, redes de drenagens e ainda há ligações irregulares de fossas residenciais e comerciais, além de construções irregulares sobre as redes, muito antigas, o que acaba ocasionando situações como a da avenida João Valério, que foi agravada por um mini shopping construído sobre a rede de drenagem.

“Temos pontos que são cruciais, como a região da Djalma Batista, Constantino e Centro, que são redes muito antigas, da época dos ingleses, com mais de 100 anos. Tubulações muitas vezes de ármico que não se utiliza mais, tecnologias muito antigas, que, via de regra, rompem. É preciso que o poder público tenha o olhar diferenciado para essa questão da drenagem, porque, a exemplo da João Valério, que já está pronta desde domingo, e nós estamos esperando um dia de sol para poder fazer o recapeamento asfáltico e devolver essa via importante, nós temos esses problemas recorrentes. Hoje, são mais de 30 pontos de drenagem em Manaus em que a Seminf vem trabalhando de forma emergencial”, reforçou Rotta.

Comissão

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), instituiu uma comissão interinstitucional para realizar o levantamento das obras em conclusão na capital amazonense iniciadas no período anterior a 31 de dezembro do ano passado. O Decreto nº 5.030 está publicado no Diário Oficial do Município (DOM) desta terça-feira, 2/3, e inclui o nome de representantes de cinco secretarias municipais que serão responsáveis pelas ações do grupo.

A “Comissão de Apuração de Obras em Conclusão do Município de Manaus” tem como principal objetivo realizar o levantamento do estágio das obras em processo de conclusão na cidade, para que as providências administrativas e legais sejam tomadas pelo Executivo municipal.

“Nosso governo atua com total transparência, organização e zelo pelo erário público, e a criação dessa comissão vai apurar quais são essas obras, onde estão localizadas e em que pé estão para que saibamos o que é necessário para serem concluídas. Caso sejam encontrados indícios de qualquer ilícito, a medida será de encaminhar o processo ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público, para que as providências cabíveis sejam tomadas”, apontou David.

A comissão é vinculada ao Conselho Municipal de Gestão Estratégica (CMGE), da Prefeitura de Manaus. Sua composição inclui cinco órgãos municipais com seus respectivos representantes: Egleuson Araújo Santiago e Donnelly Figueiredo Barbosa de Oliveira, da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf); Vicente Machado Monte Júnior, da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa); Harley Kelly Soares da Silva, da Secretaria Municipal de Educação (Semed); Platiny Soares Lopes, da Secretaria Municipal de Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc); Patricia Rocha da Costa, da Controladoria-Geral do Município (CGM); e como o presidente da comissão, o representante da CMGE, Cleudinei Lopes da Silva.

O subsecretário da Seminf e membro da Comissão, Egleuson Araújo Santiago, falou de como o trabalho será importante para otimizar o desempenho da administração municipal. “O prefeito David e nosso vice e secretário de Infraestrutura, Marcos Rotta, determinaram darmos celeridade na identificação dessas obras, o que já está sendo finalizado. Queremos que a população possa usufruir dessas obras com toda a qualidade técnica e segurança que Manaus exige”, afirmou.

Caso necessário, poderão ser convidadas instituições de outras esferas federativas ou organizações da sociedade civil em geral para colaborarem com o andamento dos trabalhos da comissão. Conforme o decreto, a participação no grupo é considerada serviço público relevante, sendo vedada a remuneração a qualquer integrante e eventuais convidados.

O trabalho da Comissão será desenvolvido até 31 de dezembro deste ano e poderá ser renovado pelo prefeito de Manaus.

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