Eleição em Coari se transforma em vale-tudo, com interferência direta das máquinas públicas

A eleição suplementar para prefeito de Coari transformou-se em um vale-tudo, com a utilização das máquinas públicas municipal e estadual e interferência dos órgãos de fiscalização para favorecer grupos políticos que disputam o pleito. Tanto a Prefeitura local quanto o Governo do Estado estão colocando as respectivas estruturas de forma ostensiva a serviço de seus candidatos. Nos palanques os dois principais candidatos também exageram nas ameaças e ofensas, o que aumenta o clima de insegurança.

O Estado trocou o comando das Polícias, indicou o coronel PM Ayrton Norte para ser o vice na chapa de Robson Tiradentes Junior (PSC) e também interferiu nas áreas da Educação e Saúde locais para favorecer o candidato. Também está estacionado no porto um navio que presta todo tipo de atendimento à população, inclusive com a distribuição de ranchos.
A Prefeitura colocou funcionários e estrutura para favorecer a cadidatura de Keitton Pinheiro (Progressistas), apoiado pela prefeita Dulce Menezes (MDB), sua tia. Há denúncias de coação para a participação em eventos da campanha.
Interferências
O juiz local, Fábio Alfaia, foi alvo de campanha de difamação que culminou com seu afastamento da direção do pleito. Nos bastidores da campanha, comenta-se que ele chegou a ser ameaçado por autoridades do Judiciário para pedir a licença. Um vídeo em que ele aparece com uma mulher no porto da cidade foi distribuído pelos integrantes da chapa de Tiradentes Junior, que acusa o magistrado de favorecer o grupo que comanda a Prefeitura.
Ontem a conselheira Yara Lins dos Santos, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) determinou ontem que a Secretaria de Fazenda do Amazonas (Sefaz) e o Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas (Amazonprev) suspendam, imediatamente, pagamentos não essenciais para a Prefeitura de Coari até que a posse do novo prefeito seja realizada. Também proibiu nomeações, contratações ou qualquer outra forma de admissão, bem como demissão sem justa causa, além da realização de festas e demais eventos culturais que não sejam considerados como urgentes. A medida também beneficia o grupo de oposição.
Protesto

O deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) para dizer que o Executivo Estadual iniciou uma série de ações assistencialistas em Coari, o que pode caracterizar suposto uso irregular da máquina do Governo durante a eleição suplementar para prefeito de município, distante 363 quilômetros de Manaus.

“O Governo aporta em Coari com distribuição de milhares de ranchos, cartões emergenciais em plena eleição, e todo mundo sabe que o governo tem candidato definido. Nem a máquina estadual e nem a municipal podem interferir no processo legítimo de escolha de um representante para um município”, frisou Barreto.

Em seu pronunciamento, o parlamentar denunciou a entrega de cestas básicas e cartões do Auxílio Estadual Permanente no município, feito pelo mesmo grupo político do governador Wilson Lima. Para Barreto, a medida configura o uso irregular da máquina pública e fere o andamento do processo eleitoral que deveria ser de forma isenta.

Diante das denúncias recebidas, o deputado vai tomar as medidas judiciais cabíveis no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM).

“Na condição de deputado estadual, estou formulando um questionamento formal ao TRE e à juíza do pleito. Todos nós somos defensores de processos eleitorais isentos, mas o que está acontecendo em Coari não tem isenção por parte do governo. Isso não contribui para a festa da democracia”, finalizou.

Qual Sua Opinião? Comente:

Deixe uma resposta