O trinômio saúde, educação e segurança faz parte e resume em si o tripé das necessidades sociais solenemente verbalizados e repetidos à exaustão por candidatos, políticos, gestores públicos e autoridades constituídas não necessariamente se estes dominam os assuntos ou sentem-se preocupados ou comprometidos com os temas os quais calam sempre mais fundo no seio da sociedade.
Diante da pandemia que nos preocupa a todos destes, a saúde e a segurança, independentemente da boa vontade ou da visão política do gestor, caminham e funcionam quase que autonomamente tendo em vista que, se pararem ou sucumbirem ante um comando desastroso, fatidicamente o caos se instalará posto que são necessidades sociais as mais básicas e, notadamente as suas ausências ou maus funcionamentos, levarão à entropia social inclusive com possibilidade da queda de governos, logo, todo cuidado será pouco.
Quando o tema envolve a educação com todas as suas nuanças, circunstâncias e consequências e em plena pandemia, aí estamos diante de uma situação absolutamente diferente de lidar tendo em vista que, embora nenhum povo subsista sem educação tampouco sociedade avance sem conhecimento, essa necessidade na maioria das vezes não é encarada nem pelo povo nem pelas autoridades como algo de primeira grandeza ou cuja ausência haverá de causar transtornos sociais eminentes promovendo o caos.
Politicamente há exceções de visão de mundo sobre a necessidade de se manter viva a educação e, no nosso estado, o governador em boa hora e em tom firme e determinado ousou dizer que:”Eu não vou permitir balada aberta e escolas fechadas”.
Entretanto, o que se assiste Brasil adentro em estados e municípios é de causar preocupações sobre o futuro da educação das nossas crianças e jovens, especialmente as mais pobres, pois, o completo fechamento das escolas, a falta da práxis de uma educação à distância ou por meio remoto ou a falta de acesso às ferramentas e mídias eletrônicas, tolheram ou barraram a continuidade do ensino em casa que já se prolonga por mais da metade do ano letivo e o que já era sofrível tornou-se dramático pois o ano e o calendário educacional estão no mínimo comprometidos e, ouso dizer, perdidos.
Vejo pais e mães desesperados, assisto crianças desassistidas, percebo comunidades sem rumo e noto uma sociedade apática em meio a uma pandemia causada pelo vírus chinês, em que autoridades e povo encontram-se inseguros e temerosos e sem uma saída ainda que pragmática para o caos eminente que compromete o futuro da nossa sociedade.
A UNESCO estima que, no planeta, mais da metade da massa de crianças e jovens em idade escolar estejam sem aulas nesse momento, ou seja, mais de 850 milhões. São 112 países em que a educação parou por completo e 11 parcialmente. No mundo todo, um entre cada quatro crianças de até 15 anos sente-se totalmente excluído do acesso ao ensino. No Brasil são quase 5 milhões de crianças e jovens entre 9 e 17 anos em casa e sem acesso à internet (fonte Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação).
Quando mais pobre é a massa que forma esse contingente de pessoas, tanto mais excluídos estão do acesso à educação em todo o planeta, portanto, o fosso educacional é uma realidade em tempos de pandemia e, a sociedade e os governos, precisam reagir para virar esse placar extremamente desagradável e desfavorável.
Té logo!
*O autor é
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