Nessa luta quase inglória contra a pandemia assistimos incrédulos e chorosos as perdas de pessoas amigas, parentes, gente das artes, da literatura, da política, do mundo dos negócios e do ambiente religioso.
Cada partida deixa um vazio independentemente da posição, da idade e das relações que tínhamos com o pranteado pois o que prevalece é o nobre sentimento da perda posto que a morte, esse mistério, não cabe a nenhum ser humano sondar ou entendê-la.
Entretanto, em meio a tudo isso, atrevo-me a colocar, ainda que tênue, uma diferença entre morte e perda; penso até que meu meu caro leitor haverá de compreender com certa dose de generosidade o que quero dizer e me fazer entender, porque em ambas as situações para todos os entes queridos, morte é perda e perda para sempre o que amplia em muito o sofrimento de quem ficou com a saudade esse termo tão nosso e tão significativo e profundo.
Quanto maior for a relação de pertencimento que o falecido mantinha com a sociedade por meio do seu mister, tanto maior será o sentimento de perda daí que um artista querido, um profissional da saúde conhecido e dedicado, um Cientista, um benfeitor, um sacerdote, um jornalista ou comunicador e até um político ético, haverá de provocar comoção ao partir desse mundo.
Dentre as perdas mais recentes, uma, ocorrida no último sábado, me deixou abalado por se tratar de um homem de Deus, teólogo, Bispo sábio e comprometido com a verdade do Alto e homem de extrema compreensão Mariana. Estou falando da partida de Dom Henrique Soares, Bispo da cidade pernambucana de Palmares. Exímio pregador e doutrinador cuja desassombrada visão catequética encantava a todos quantos assistiam suas palestras, homilias e entrevistas.
Um Bispo da Igreja Católica não se faz da noite pro dia pois todos nós sabemos do enorme vazio pastoral que há no Brasil cujas vocações sacerdotais estão há décadas em baixa e, quando um servo de Deus da envergadura moral, da sabedoria bíblica e do posicionamento profético de Dom Henrique é chamado por Deus, o vazio fica difícil de ser preenchido.
Amigo pessoal e admirador de D. Henrique, outro grande sacerdote de Deus, Padre Paulo Ricardo assim se expressou sobre ele: “Momentos de luto, como este, pedem mais oração e silêncio do que palavras. E, no entanto, não podemos deixar de dizer algumas delas…
A morte de Dom Henrique Soares deixa perplexos a todos nós, católicos do Brasil. Sim, sabemos, estamos sujeitos ao mesmo fim, e ninguém está imune a doença alguma. E, no entanto, quando um dos nossos é vitimado fatalmente pela enfermidade, surpreendemo-nos, abatemo-nos, enlutamo-nos.
Não é correto dizer que perdemos um grande bispo, porque quem quer que morra no Senhor não se perde, absolutamente. E, no entanto, desde já nos pesa a ausência deste homem tão querido, que com sua fé iluminava o Brasil inteiro, que com sua caridade abrasava os corações todos que o ouviam, seja de perto, em sua diocese, seja de longe, através da internet.
Pouco depois da notícia de seu falecimento, começaram a circular inúmeros vídeos seus falando da realidade da morte. Em todos eles, muita lucidez, muita serenidade e, sobretudo, muita catolicidade: quem quer que o ouvia pregar tinha a sensação de poder como que tocar com as mãos as verdades da nossa santa religião.
Ainda antes de o coronavírus fazer suas primeiras vítimas no Brasil, ele, que infelizmente viria a ser vitimado pelo mesmo vírus, manifestou em seu Facebook estar bastante consciente do quão maiores são os perigos espirituais: “Que vírus perigosos, estes: o mundanismo, o relativismo, a impiedade, o secularismo, a perda do sentido do sagrado, a imoralidade, a vulgaridade… Vírus que provocam a morte da alma! Sobretudo destes, livre-nos o Senhor nosso Deus!”
Muito nos consola saber que Dom Henrique morreu como viveu: segundo comunicado da família, ele “fez questão de enfatizar, antes da entubação, com a firmeza da sua têmpera e profundidade da sua fé, que estava espiritualmente bem, inteiro, nas mãos de Cristo”.
Grande esperança nos dão, também, as datas dos últimos acontecimentos da vida de Dom Henrique. Atendendo à súplica que todos fazemos na saudação angélica, a Santíssima Virgem velou pela morte de seu filho com verdadeira delicadeza de mãe: Dom Henrique foi entubado no dia de Nossa Senhora do Carmo e faleceu no dia mariano por excelência: o sábado.
Diante disso, só o que nos resta é repetir as palavras do Apocalipse: “Felizes os mortos que doravante morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem” (14, 13).
Bem-aventurado Dom Henrique, sim, mas por ora ficam em nós a dor e o abatimento. Bem-aventurado Dom Henrique, sim, mas nem por isso o privemos do consolo das nossas orações: “Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno. E que a luz perpétua o ilumine. Requiescat in pace.”Amém, amém.
Siga para a Jerusalém Celeste, lugar dos justos amado D. Henrique, que soubestes com determinação e sabedoria a nos ensinar a buscar.
Té logo!
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