Dica de especialista: revise os cinco últimos anos fiscais de sua empresa para se prevenir de perdas com a reforma tributária

A entrada em vigor gradual da reforma tributária já mudou a rotina financeira de empresas brasileiras. Com a regulamentação do novo sistema de impostos sobre o consumo e a fase de transição prevista para os próximos anos, especialistas relatam aumento na procura por revisões dos últimos cinco anos fiscais, período em que ainda podem ser identificados créditos recuperáveis, inconsistências em obrigações acessórias e passivos capazes de gerar autuações futuras. 

Para Mayra Saitta, advogada empresarial e fundadora do Grupo Saitta, o custo da omissão tende a crescer. “A empresa que não revisa o passado perde dinheiro no presente. A reforma não apaga erro antigo, ela evidencia o que ficou sem correção.” afirma.

A Emenda Constitucional 132, que redesenhou a tributação sobre consumo no país, criou a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e o Imposto Seletivo. A implementação será escalonada, exigindo convivência entre regras antigas e novas durante a transição. Para empresas, isso significa operar com maior complexidade temporária, exigindo bases fiscais organizadas, cadastros consistentes e histórico contábil confiável.

Dados do Observatório de Política Fiscal da FGV e análises recorrentes da Receita Federal mostram que o contencioso tributário brasileiro segue entre os maiores entraves ao ambiente de negócios, movimentando valores trilionários entre disputas administrativas e judiciais. 

Na prática, parte desse volume decorre de interpretações divergentes, falhas operacionais e recolhimentos inadequados. “Quando a documentação está desorganizada, a empresa perde chance de recuperar crédito e ainda amplia risco de questionamento”, afirma a especialista.

A revisão retroativa costuma envolver análise de enquadramento tributário, classificação fiscal de mercadorias e serviços, aproveitamento de créditos de PIS e Cofins, retenções, compensações e cruzamento de declarações já transmitidas. 

Em muitos casos, o trabalho revela pagamentos indevidos ou superiores ao necessário, além de erros que podem ser corrigidos antes de eventual fiscalização.

O movimento ganhou força porque empresas perceberam que a reforma não será apenas mudança legislativa, mas também operacional. Sistemas de gestão, precificação, contratos com fornecedores e fluxo de caixa precisarão ser recalibrados. Negócios que entram nessa fase com pendências antigas tendem a gastar mais tempo e recursos para se adaptar.

Mayra afirma que pequenas e médias empresas estão entre as mais expostas, sobretudo aquelas que cresceram rápido sem estrutura fiscal compatível. “Há companhias vendendo bem, mas acumulando fragilidades internas. Quando a margem aperta, qualquer tributo pago errado pesa no caixa”, diz.

Na contratação de consultorias ou auditorias, a recomendação é priorizar equipes que integrem contabilidade, jurídico tributário e tecnologia de dados. Também pesa a capacidade de transformar achados técnicos em plano de execução, com cronograma, priorização de riscos e eventual recuperação de valores. Promessas genéricas de créditos elevados sem lastro documental devem acender alerta.

Outro cuidado relevante envolve o prazo. Como parte das oportunidades depende de períodos prescricionais e documentação disponível, adiar a revisão pode reduzir ganhos possíveis. “Quem começa agora entra na transição mais preparado, com números confiáveis e menos surpresa no caminho. Quem deixa para depois pode pagar pelo erro e pela demora”, conclui.

Sobre Mayra Saitta

Advogada, contadora e empresária, Mayra Saitta é fundadora do Grupo Saitta, hub de contabilidade, direito empresarial, marketing e educação corporativa com atuação no Brasil, Estados Unidos e Europa. Nascida em Praia Grande (SP) e graduada em Ciências Contábeis e Direito, ela se especializou em Direito Empresarial e construiu uma trajetória marcada pela inovação em gestão e pela defesa do protagonismo feminino nos negócios. Em 2024, foi homenageada pela Câmara Municipal de Praia Grande com o diploma Graziela Diaz Sterque, em reconhecimento às suas contribuições à comunidade e ao desenvolvimento local.

Em 2025, lançou o livro A mente ágil do líder: como liderar com flexibilidade e propósito na era da inteligência artificial, no qual apresenta reflexões sobre liderança e transformação digital. Idealizadora do Saitta Day, evento que reúne empresários e especialistas para impulsionar o empreendedorismo na Baixada Santista, Mayra é reconhecida por unir visão estratégica, propósito e impacto social em sua atuação.

Sobre o Grupo Saitta

Há 15 anos, o Grupo Saitta atua como um hub de soluções integradas em contabilidade, advocacia, marketing e educação corporativa, com sede em Praia Grande (SP) e presença em todo o Brasil, além de uma carteira de clientes nos Estados Unidos e Europa. 

Reconhecido pelo Método Saitta, modelo próprio de gestão de processos, o grupo se consolidou pela capacidade de unir eficiência operacional, rigor no cumprimento de prazos e uma gestão humanizada, que valoriza a parceria e o desenvolvimento conjunto entre empresas e profissionais.

Pioneiro na Baixada Santista ao criar um setor de Customer Success voltado à experiência do cliente, o grupo também promove mentorias e programas de capacitação para líderes e empreendedores, com foco em produtividade, gestão inteligente e posicionamento estratégico. Sua missão é clara, fortalecer empresas e inspirar vidas, conectando pessoas, propósito e performance.

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