O livro “O Que Penso Sobre”, que escrevi reunindo mais de uma centena de artigos, tem como prólogo, um texto que descreve, com riqueza de detalhes, a agonia que eu e um grupo de jovens ligados à Pastoral da Juventude da Igreja Católica passamos, ao sofrermos um grave acidente na Br 319 no longíquo ano de 1979.
Essa fatídica viagem chegou a percorrer parte dos mais de oitocentos quilômetros desta única via que liga o Amazonas ao resto do país, não fosse o acidente.
Não existiam pontes e algumas pinguelas serviam de passagem e, os rios, eram transpostos por meio de balsas o que tornava a viagem cansativa e mais demorada que o normal.
Essa importante rodovia com quase quarenta e cinco anos de existência, serve como meio para abastecer Manaus ou levar daqui, boa parte das riquezas produzidas no nosso Polo Industrial, bem como, interliga diversos municípios posicionados além do rio Solimões.
O isolamento rodoviário ao qual nosso estado está fadado há séculos, em nada sensibiliza os ecofundamentalistas encastelados nos institutos de ciência e pesquisa, no ministério público e na justiça federal e nas instituições de controle ambiental.
Pra completar esse caldo de cultura prejudicial aos nossos interesses econômicos e sociais, ainda contribuem para esse descalabro as tais ONG sustentadas com farta grana estrangeira que dificultam e muito o progresso e o desenvolvimento dessa parte do Brasil empurrada para o cruel e proposital esquecimento.
Em relação à Br 319, a perseguição, a incompreensão e a falta de sensibilidade de muitos que nem nasceram ou moram aqui é tanta, que por quase metade do período em que ela existe, a manutenção, a reconstrução e a modernização dessa estrada é visivelmente prejudicada.
Não há elemento político institucional ou isolado seja do executivo ou do parlamento, que tenha tido até aqui o poder decisório necessário para realizar as obras vitais para que essa estrada seja viabilizada.
Já tivemos governos estadual e federal comprometidos, ministro dos transportes indicado pelo nosso estado, pareceres técnicos e ambientais favoráveis, recursos financeiros alocados, etc., porém, nada disso foi suficiente até aqui para tirar do papel as tão sonhadas e necessárias obras.
O descaso é tão grande, que recentemente, em menos de quinze dias, duas pontes de concreto ambas com mais de vinte anos de existência, desabaram e, uma delas, levou à perda de vidas e um baita prejuízo comercial.
Procuradores federais e estaduais, juízes federais, dirigentes de institutos ambientais a grande maioria composta de gente “estrangeira” que não sabe diferenciar um pé de pupunha de uma castanheira, dão pitaco a toda hora dificultando, por meio de pareceres e decisões temerárias e persecutórias, a realização das obras de recuperação e de modernização dessa rodovia.
São jovens talentosos recém aprovados em concurso público e vêm para o nosso estado e tem o mais absoluto poder de tomar decisões sobre nossa gente, nossa sobrevivência e sobre nosso futuro.
São magistrados e procuradores federais novinhos que passam uma chuva aqui, depois pedem transferência para os ricos estados do sul onde nasceram e cresceram, e nem se lembram mais do rastro de problemas que geraram e deixaram por essas bandas e retornam para o conforto do livre ir e vir dos seus estados do Sul e Sudeste.
Quem será responsabilizado pelos acidentes numa estrada sem manutenção?
Quem pagará pelas mortes e acalentará as famílias enlutadas?
Quem poderá responder pelos prejuízos comercias, sociais e financeiros promovidos?
Já tá mais que na hora de as nossas autoridades políticas, as entidades de classe da indústria e do comércio, nossos parlamentares em todos os níveis e a população amazonense colocarmos um basta nessa onda nefasta de descaso e falta de compromisso de tantos quantos mandam e desmandam sobre nosso destino e sobre as coisas e situações que nos calam fundo, e marcharmos até Brasília e gritarmos em uníssono, que de Amazonas nós entendemos, que das nossas necessidades sabemos nós, que já estamos cansados de decidirem por nós sem sequer nos ouvirem.
E isso tem que ser feito já, antes que mais pontes desabem e mais vidas se percam, mais empobrecidos fiquemos e mais isolados do resto do país sejamos relegados.
Somos um povo ou um saco de pancadas?
Que tipo de políticos elegemos?
Temos ou não coragem de enfrentar quem nos prejudica?
Já está tarde demais!
Té logo!
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