Deputado diz que Banco Central está aumentando o endividamento da população com sua política de juros

O deputado federal Sidney Leite (PSD-AM) fez duras críticas, nesta terça-feira (5), na Câmara dos Deputados, à política de juros do Banco Central. Da tribuna, o parlamentar disse que o programa Desenrola, iniciativa do governo federal de renegociação de dívidas, ameniza, mas não resolve o problema.

“O Desenrola é importante para quem está endividado nesse momento, mas nós precisamos reverter”, afirmou o parlamentar, que questionou a própria lógica da política monetária vigente no país.

Com a taxa Selic em 14,5% ao ano, uma das mais altas do mundo, o deputado chamou atenção para uma contradição que considera inadmissível: o Brasil paga juros maiores do que países em guerra.

“Nós não podemos aceitar que países que estão em guerra tenham taxa de juros menor do que a do Brasil”, disse.

Os números citados por Sidney Leite ajudam a dimensionar o problema. Nos últimos 12 meses, o Brasil gastou R$ 1 trilhão com juros. E os juros do cartão de crédito rotativo chegam a 450% ao ano. “Isso é um assalto à mão armada”, disse.

O rotativo é a linha de crédito pré-aprovada no cartão e inclui também saques na função crédito.

“O Brasil não pode continuar refém do mercado financeiro. O Banco Central tem que agir e tem que agir rápido”, afirmou Sidney Leite.

Na avaliação do deputado, a taxa de juros atual não apenas penaliza o trabalhador endividado, mas também inibe o investimento produtivo e favorece quem especula. “Isso só facilita a vida do mercado financeiro”, disse.

Sidney Leite reconheceu pontos positivos nas iniciativas do governo federal, como a extinção do cartão de crédito consignado, mas foi enfático ao dizer que medidas isoladas não bastam.

Para ele, o Congresso precisa assumir um papel mais ativo no enfrentamento do endividamento das famílias brasileiras. “Este parlamento não pode aceitar passivamente essa política de taxa de juros do Banco Central, que faz cara de paisagem”, criticou.

Qual Sua Opinião? Comente:

Deixe uma resposta