O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) repercutiu, na manhã desta quarta-feira (27/05), os dados do Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo, que reúne indicadores referentes ao ano de 2024, mostra que, apesar da redução nos homicídios no Amazonas, o estado continua entre os mais violentos do Brasil e Manaus permanece entre as capitais com maiores índices de mortes violentas intencionais do país.
Segundo o levantamento, o Amazonas registrou taxa de 32,2 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, ocupando a 6ª pior posição nacional em violência letal, atrás apenas de Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará. A média amazonense permanece muito acima da taxa nacional, que ficou em 20,1 homicídios por 100 mil habitantes.
Em números absolutos, o Amazonas registrou 1.326 homicídios em 2024. Embora o Atlas tenha apontado queda de 15,5% na taxa de homicídios e redução de 229 mortes em relação a 2023, o estado segue inserido entre os principais focos da violência letal brasileira.
Manaus também aparece em posição alarmante. A capital amazonense registrou taxa de 34,1 homicídios por 100 mil habitantes, tornando-se a 7ª capital mais violenta do Brasil em 2024, atrás apenas de Salvador, Maceió, Macapá, Recife, Fortaleza e Porto Velho.
Para Comandante Dan, os dados demonstram que o Amazonas vive um cenário de consolidação do crime organizado e que a redução recente dos homicídios não pode ser interpretada automaticamente como melhoria estrutural da segurança pública.
“Saímos da fase das ocorrências criminais comuns para o estabelecimento da governança criminal, tanto em bairros de Manaus, como em áreas inteiras do interior. Nossa população vive refém do crime e sozinhos não temos recursos para mudar essa realidade”, afirmou o parlamentar.
O deputado também avaliou que a queda nos homicídios está diretamente ligada à hegemonia territorial de uma facção criminosa no estado, reduzindo conflitos armados entre grupos rivais, mas não necessariamente o poder do crime organizado.
“Quando uma única facção passa a dominar amplas áreas, há redução dos confrontos entre organizações criminosas, mas isso não significa paz social. Significa, muitas vezes, controle territorial, domínio econômico ilegal e submissão da população ao poder paralelo”, declarou.
Presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e também da comissão temática da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), Comandante Dan voltou a defender um plano emergencial integrado para o Amazonas, envolvendo União, Estado e municípios.
Entre as propostas defendidas pelo parlamentar estão o fortalecimento da segurança de fronteiras, ampliação da inteligência policial, fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), regionalização do sistema prisional, criação de centros integrados de custódia e triagem no interior, ampliação da perícia técnico-científica e maior presença do Estado em áreas dominadas pelo narcotráfico e pelo garimpo ilegal.
O deputado também defende investimentos em infraestrutura e logística como instrumentos de segurança pública, sobretudo na região amazônica. Segundo ele, o isolamento de municípios e comunidades favorece a expansão do crime organizado e dificulta a presença permanente das forças de segurança.
“A Amazônia exige uma política territorializada de segurança pública. Sem integração logística, sem controle efetivo de fronteiras e sem presença contínua do Estado no interior, o crime continuará ocupando espaços”, afirmou.
O Atlas da Violência 2026 também alerta para o fortalecimento das organizações criminosas no país e para a expansão da atuação territorial das facções, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O estudo aponta que o crime organizado avançou para além do tráfico de drogas, ampliando sua atuação em mercados ilegais e até em setores da economia formal.
Outro dado que chamou atenção do parlamentar foi o crescimento das chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), que dificultam a mensuração real da violência letal no Brasil. O Atlas destaca que mais de 17 mil mortes violentas ocorreram no país sem definição precisa da motivação do óbito.
Comandante Dan afirmou que seguirá utilizando a Comissão de Segurança Pública da Aleam para discutir soluções estruturais para o estado, defendendo maior integração federativa, investimentos permanentes e fortalecimento das políticas preventivas.
“O Amazonas precisa de um choque de ordem. Segurança pública não se resolve apenas com discurso ou operações pontuais. Precisamos de estratégia, integração, presença territorial e capacidade permanente de enfrentamento ao crime organizado”, concluiu.
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